Adufg tem hoje 1888 associados, sendo que 1110 estão na ativa e 778 estão aposentados.
O início em 21 de dezembro de 1978
A Associação dos Docentes da Universidade Federal de Goiás - Adufg foi criada em 21/12/1978, como pessoa jurídica de direito privado, sem natureza sindical já que constitucionalmente vedado naquele tempo. Em 6 de dezembro de 1990 uma Assembléia Geral Extraordinária deliberou pela “alteração do Regimento Geral da Adufg”, transformando-a em Adufg–Seção Sindical da ANDES-Sindicato Nacional. Com isso, assumiu caráter sindical e não mais meramente associativo. Desde então, a Adufg integra a estrutura organizativa da ANDES-SN, participando de suas instâncias deliberativas etc.
A luta pela democratização
Quando a Adufg foi fundada em 1978, o movimento docente estava se organizando para enfrentar grandes desafios. Era um dos períodos mais obscuros da história do País mas os ideais de defesa da Universidade e da sociedade exigiam a inserção firme na luta pela consolidação da democracia brasileira. Na resistência à ditadura militar, à censura e às arbitrariedades cometidas no Brasil, durante aquele período, os docentes da UFG souberam dar voz à sociedade e se engajaram no esforço de retomada da consciência sobre o sistema que regia a universidade goiana e o Brasil. Naquele momento, além das questões mais abrangentes, os docentes ainda enfrentavam uma dura realidade específica: não existia carreira, as condições salariais eram péssimas e a ditadura militar não permitia eleição direta dos dirigentes. Já lidávamos com problemas de autonomia e financiamento.
Greve de 80 começou no IMF
O início da década de 80 foi marcado pelo surgimento e consolidação das associações docentes. Foi neste período que cresceram os movimentos reivindicatórios. A primeira grande greve, em 1980, teve início aqui na UFG, em uma das salas do antigo IMF – Instituto de Matemática e Física –, se alastrou por toda a Universidade e mais tarde para as grandes universidades do País.
Foi um dos maiores movimentos de greve vividos no País que resultou na queda do ministro da educação Eduardo Portela e na regulamentação do acesso dos professores à Universidade. O que possibilitou a união e mais tarde a unificação de todas as Associações Docentes do Brasil, na criação, em fevereiro de 1981, da Associação Nacional dos Docentes de Ensino Superior – Andes, nosso sindicato nacional desde 1989. Em 6 de dezembro de 1990 foi concretizada a transformação da Adufg em Seção Sindical da Andes.
Diretas Já
O Brasil da década de 80 redescobria o movimento democrático que iria desembocar na campanha das "Diretas". As contradições ainda persistiam: enquanto muitos desejavam ter na democracia o alicerce que alavancaria o Brasil de anos de retrocesso e autoritarismo, outros viviam ainda a sombra do medo e da opressão e por isso preferiam deixar tudo da forma que estava. Nesse momento, a Adufg engajou-se no esforço para e esclarecer à população sobre as vantagens de se poder escolher seu próprio destino através de eleições diretas dos governantes brasileiros.
Eleições, de reitor a presidente
O movimento social mostrava-se firme na defesa de seus princípio e seus propósitos de recuperar os direitos sociais, esquecidos durante o militarismo. O movimento docente, particularmente, lutava também pela recuperação de uma universidade que defendesse e que cumprisse o papel de formadora de cidadãos. Somente na metade da década de 80, os brasileiros reconquistaram o direito ao voto direto. Na UFG, em 1985, finalmente o professor Joel Pimental Ulhôa foi escolhido como Reitor pela comunidade universitária e nomeado pelo governo.
Fora Collor
Ao longo de 20 anos (que foram o tema da primeira edição da Revista da Adufg ( em dezembro de 1998), o movimento docente conquistou muitas vitórias, como o concurso público, as eleições diretas, Regime Jurídico Único. Também enfrentou o contingenciamento de verbas que quase inviabilizaram a sobrevivência da universidade, os projetos GERES e o Projeto Collor. Nos anos 90, a mobilização popular Fora Collor também mobilizou os docentes da UFG. A Adufg esteve presente direta e indiretamente, se posicionando a favor de todo o movimento, esclarecendo e informando sobre a política neoliberal e a economia recessiva que dominava o Brasil.
A era FHC
Em meados dos anos 90, o movimento docente encontrou-se novamente diante de grandes desafios: as reformas do governo FHC e as ameaças à autonomia. Ao longo de sua permanência no governo, o presidente FHC conseguiu nos manter sem reajustes salariais durante sete anos, e desenvolveu uma estratégia “tacheriana” de estrangulamento do movimento sindical, propagando que as universidades públicas eram caras e ineficientes e implantando uma política de incentivo ao ensino superior privado; instituiu o “provão” e viabilizou inúmeras formas a privatização do sistema superior público, o único capaz de garantir a independência e o compromisso social da pesquisa. Em 1998 depois de mais uma greve, os professores tiveram ainda de aprender a correr atrás de pontuação e produtividade para garantir alguns trocados a mais na Gratificação de Estímulo à Docência (GED) implantada pelo governo FHC.
Autonomia e emprego público
Enquanto isso, o governo FHC chegou a ponto de interferir no processo democrático de escolha dos dirigentes (veja o caso da UFRJ). É certo que o recuou da proposta nefasta de Autonomia apresentada ao Congresso Nacional, no meio de 1999, mas foi porque o movimento docente soube se mobilizar e resistir. No entanto, foi só uma mudança de estratégia, os tema da autonomia se desmembraram em vários projetos. Um deles colocou em xeque a nossa carreira. A proposta do emprego público acabava com o regime jurídico único atingindo em cheio a autonomia universitária. Naquele período os salários nunca estiveram tão baixos. E os docentes voltaram a lidar com perplexidade e indignação com os mesmos problemas: a questão do financiamento; das relações de trabalho, da democracia ameaçada, da privatização do ensino.
Grandes debates e aproximação coma sociedade
Num momento de novos e ao mesmo tempo antigos embates, o próprio movimento docente começou a refletir sobre caminhos e estratégias de resistência. Nas assembléias da Adufg, quando se discutia o processo de greve dos servidores públicos federais, aparecia uma ansiedade com relação aos caminhos a seguir. Mas foi com a greve que conseguimos grandes conquistas e não a descartamos como alternativa. O que fazer?
Em 2000, a Adufg deu início ao projeto Ciclos de Debates que surgiu exatamente da necessidade latente no movimento de refletir com clareza sobre os rumos da UFG de hoje e do futuro, da universidade pública e do movimento docente sem a exaltação das palavras de ordem e idéias estabelecidas. Foram realizados os ciclos Qual o Futuro da UFG? (2000), Universidade Publica e Conjuntura (durante a greve de 2001) e Universidade Pública e Autonomia (2002).
Mostra Milton Santos
Em 2002, também criamos a I Mostra Multicultural Milton Santos, um evento nunca visto na história do movimento docente, cujo tema central foi O Papel do Intelectual no Século 21, e que foi considerado um grande marco no esforço pelo resgate da vida acadêmica, pela aproximação com a sociedade e para esclarecer a importância da UFG pública e gratuita. Tal projeto foi aprovado na Lei Municipal de Incentivo a Cultura para realização em 2004, já com o tema Universidade, Ciência e Sociedade. Em 2006, a Adufg realizou a terceira Mostra que debateu A Natureza em Fúria.
Voltando a 2003, foi quando a Adufg passou a promover a mostra de Cinema O Amor a Morte e as Paixões em conjunto com outros sindicatos de professores do Estado no intuito de oportunizar, além de lazer para os docentes e para a comunidade, uma chance de aproveitar o cinema como reflexão, pensamento e arte.
UFG na conjuntura
No processo histórico, e com todas as transformações que a sociedade sofreu, a UFG também sofreu um outro conjunto de transformações. Centenas de docentes foram empurrados para a aposentadoria, um grande processo de renovação dos quadros foi desencadeado. Por força das circunstâncias, os novos quadros vieram com um nível de qualificação maior e esses números refletiram no aumento da produção científica. Cresceu o número de doutores e mestres. Os problemas, no entanto, não acabaram; muito pelo contrário, a roda foi girando e nos vimos mais uma vez lutando por carreira, salário, democracia, contra o ensino pago e pelo financiamento, vide a questão da autonomia.
A UFG não é mais a mesma. E não está mais sozinha no contexto universitário goiano. Houve um investimento pesado da iniciativa privada. O Estado de Goiás, também em transformação, tenta avançar na agroindústria; Temos um corpo docente qualificado com nichos de alta produção científica e outros inúmeros desafios do ponto de vista de qualificação e produção científica. Essa nova situação aponta firmemente para o avanço do sistema de pesquisa e a pós-graduação da UFG para que nossa instituição se consolide como um centro qualificador para o centro-oeste e encontre alternativas que a conduzam para longe do estigma de mero reprodutor de conhecimento que o governo FHC tentou impor sobretudo às instituições periféricas. Tem também a UFG, o desafio de dinamizar a graduação, sob o prisma de não ser mais a única. Ao mesmo tempo em que devemos dar respostas a essas questões, temos ainda a obrigação de garantir nossa tradição de instituição democrática, que escolhe seus dirigentes democraticamente.
Desafio de restabelecer nossa estima
Adufg entrou nesse debate com objetivo de abrir as reflexões sobre todas as questões para além das deliberações do movimento docente. Preservando convicções e ideais inquestionáveis sobre o papel da universidade pública. Acreditamos que temos condições de inserir a UFG no debate nacional. Nosso objetivo é formular nossa identidade e definir, com clareza, a natureza dos futuros embates. Defendemos que a UFG comece a identificar esse caldo de cultura e poder acumulado ao longo de sua história para que possa resguardar seu lugar como instituição de ponta no centro-oeste e que avance nesse caminho.
Queremos restabelecer a estima docente. Queremos encontrar novos caminhos para a universidade, sem perder de vista que continuamos lutando pelo financiamento público; por uma carreira que possa corresponder à qualificação desse corpo docente, sem frustrá-lo; pela autonomia que confira a agilidade necessária à universidade; para continuarmos respirando ares democráticos. E queremos continuar reafirmando o caráter público dessa instituição de ensino superior e de qualidade socialmente referenciada.
O governo Lula e as Reformas
Em 2003, no ano em que a Adufg completou 25 anos, os trabalhadores brasileiros passaram a viver uma situação política complexa e inédita. Portadores da expectativa de que finalmente o governo Lula, eleito de cunho popular, trouxesse rapidamente a solução para os graves problemas sociais do país tais como a dívida externa, a taxa de juros, o descaso com as políticas públicas, a estagnação da economia e o desemprego estrutural. No entanto, foram surpreendidos com as “reformas”- que vieram sem a discussão e a negociação com os setores envolvidos - como a da Previdência que, ao invés de trazer modificações no sentido da inclusão social, só faz promover a perda de direitos dos trabalhadores do Serviço Público e a privatização da Previdência Social.
A reforma universitária, nova carreira e luta específica
A Universidade Pública brasileira - uma das instituições mais importantes para o desenvolvimento soberano do país - vem sendo há tempos minada por políticas deliberadas de cunho mercantilista, voltadas para interesses privatistas. Dessa forma, vem perdendo sua capacidade de desenvolver uma Educação de qualidade e uma Pesquisa Científica voltada para os reais interesses da sociedade brasileira. Isso sem falar dos problemas mais complexos, como a não ampliação da rede pública de Ensino Superior.
Em defesa de questões específicas
Os professores universitários continuam vivendo a situação de deterioração de suas condições de trabalho e salário. Mas vivem também a mesma expectativa dos demais brasileiros quanto às possíveis mudanças para a Educação e para a Universidade Pública e devem se mobilizar para não serem excluídos do debate, principalmente na Reforma Universitária. As lutas dos docentes, travadas ao longo do tempo, precisam de uma direção politicamente responsável e conseqüente, comprometida com os reais interesses da categoria no seu cotidiano e na sua inserção no processo político da sociedade.
Os professores querem ter suas reivindicações atendidas, sendo fundamenta! a construção de uma pauta específica e possível pois a opção por uma pauta impossível demonstra o descompromisso e o aventureirismo no movimento. Defendemos que a Andes-SN deve manter uma postura firme e convicta na defesa dos interesses dos professores universitários, evitando o simples e inócuo denuncismo e ser capaz de ir além, na busca de alternativas para a resolução de problemas, como a precarização da estrutura salarial e do financiamento do Ensino e da Pesquisa, que têm empurrado os professores para a busca de soluções individuais de sobrevivência pessoal e profissional. O sindicato deve ser capaz de pensar e propor a melhor estratégia para a defesa dos interesses específicos de sua categoria. Essa luta deverá estar necessariamente combinada com a dos demais trabalhadores, devendo resgatar o engajamento dos professores no debate político, rumo à construção de um novo sindicato e de uma nova sociedade.
UFG pública, gratuita, de qualidade, socialmente referenciada e autônoma
Garantir as conquistas e avançar na defesa da UFG pública, autonomia e de qualidade, com ensino gratuito e acesso irrestrito são os desafios que o movimento docente enfrenta na atualidade junto com a luta permanente por melhores salários, uma nova carreira e condições de trabalho. Com a valorização do papel da universidade, o respeito aos direitos dos profissionais da educação será mera conseqüência. A sociedade saberá reconhecer a importância da universidade para o desenvolvimento da Nação.
Filiação ao PROIFES e permanência na CUT
Em Assembléia geral realizada no dia 8 de dezembro de 2004, no auditório do IPTSP, os professores decidiram aprovar a filiação da entidade ao Fórum de Professores das Instituições Federais de Ensino Superior (PROIFES), criado em Brasília no dia 16 de outubro de 2004, a partir da iniciativa de docentes de várias instituições federais. A decisão foi tomada após um amplo debate no qual participaram 75 docentes, sendo que 52 votaram a favor da filiação e 15 votaram contra. O PROIFES não propõe a nossa saída da ANDES, mas a existência de uma organização que encaminhe as reivindicações específicas dos professores das IFES, trazendo a ANDES para uma posição de defesa dos nossos interesses, contribuindo para garantir uma Universidade pública que atenda ao interesse da maioria da nossa população.
No 24º Congresso da ANDES, realizado em fevereiro de 2005 foi aprovada a desfiliação da CUT, mas a Adufg, em Assembléia Geral, decidiu permanecer filiada à Central.
Lazer e confraternização
Não só de embates políticos locais e nacionais vive nossa entidade. Momentos de festa e confraternização também marcam a história da Adufg. Localizada no município de Hidrolândia, a 32 km de Goiânia, a chácara dos docentes da UFG sedia anualmente o encontro de confraternização do Dia do Professor, com direito à soretio de prêmios, lazer para as crianças, comida e bebida. A sede conta com campo de futebol, vestiário, camping, quiosques com churrasqueiras e cozinha recém-reformadas, freezer, lago para pesca, piscinas para adultos e crianças e muito verde e ar puro, distribuídos em 29,5 alqueires.O Quintart da Adufg, happy hour dos professores, realizado mensalmente, passou a ser um ponto de encontro, confraternização e mobilização docente com descontração. E a festa de fim de ano tornou-se uma tradição esperada por todos.
Prêmio Ambiental
Em 1999, o GT de Meio Ambiente da Adufg iniciou um intenso trabalho de proteção e reflorestamento do Rio Meia Ponte e uma campanha de combate a Dengue reforçando a inserção da Adufg em outras áreas do movimento social. Desde então, mais de 5 mil mudas já foram plantadas nas áreas de reflorestamento na região norte de Goiânia, nas margens do Meia Ponte, proximidades do Campus 2. Em 2005, este trabalho foi agraciado com o Prêmio de Gestão Ambiental, na categoria Educação Ambiental, da Secretaria Estadual de Meio Ambiente e Recursos Hídricos do Estado de Goiás.
C&T:Criação da FAPEG e Recursos Municipais
Há 10 anos, a Adufg, em conjunto com a SBPC –GO, iniciou um movimento sistemático pelo estabelecimento de uma política permanente de C&T no Estado. Tal movimento tem se caracterizado por ações de conscientização de autoridades e parlamentares, promoção de encontros, realização de audiências e envio de documentos a nível municipal, estadual e federal. Desde então, foi criada a Secretaria Estadual de C&T e o Conselho Municipal de Ciência e Tecnologia. A criação da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Goiás -FAPEG foi finalmente sancionada pelo governo do Estado em 12 de dezembro de 2005. Ainda falta garantir a aprovação da emenda do deputado Fábio Tokárski que destina recursos fixos para a FAPEG. Em 2005, a comunidade científica pôde comemorar também a aprovação da Emenda a Lei Orgânica do Município de Goiânia que destina 0,5% da Receita tributária pára o Fundo Municipal de C&T de autoria da vereadora Marina Sant´Anna.
Por que transformar a Adufg em Sindicato
Em dezembro de 2005, a Diretoria da Adufg levou ao conhecimento dos associados sua preocupação com a ausência de Registro Sindical do ANDES-Sindicato Nacional e as conseqüências deste fato para a Adufg - Seção Sindical e para seus associados. E convocou Assembléia Geral para 8/12/2005 analisar a proposta de transformação da Adufg em Sindicato. O objetivo da diretoria era, sobretudo, honrar com as responsabilidades assumidas e com a obrigação de zelar pelos interesses dos associados da Adufg. A intenção da diretoria era promover o fortalecimento da nossa entidade, considerando que, hoje, a ANDES não dispõe de registro sindical. A proposta foi aprovada na Assembléia que também foi colocada em caráter permanente para permitir um maior debate entre os associados antes da finalização do processo.
O uso da Assembléia Permanente no processo foi questionado na justiça por um grupo de professores e o juiz entendeu que tal instrumento não é mais permitido pelo novo Código Civil Brasileiro. Ao protestar sobre a legalidade do processo de transformação da entidade em Seção Sindical da Andes em 1990, já que o estatuto à época exigia um referendo (Parágrafo único do Art. 48) que não foi realizado, a Adufg foi informada que tal ação poderia ter respaldo na justiça, mas que também poderia tornar ilegais todas as diretorias e atos que se sucederam. Dessa forma, para evitar o desgate generalizado de um debate judicial interminável, a diretoria da Adufg decidiu por retirar do campo jurídico uma questão que entende pertencer ao campo político.