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Como foi seu dia? Só um momento que vou ver seu perfil...

Publicado em : 06/08/2018

Autor : Ricardo Limongi

Somos atualmente quase quatro bilhões de usuários de internet em todo o mundo. Se falarmos sobre as redes sociais, especificamente, os números são realmente expressivos por se tratar da movimentação em um único dia: são enviados mais de 600 mil tweets, postadas mais de 62 milhões de fotos no Instagram, e mais de 5,5 bilhões de vídeos assistidos no Youtube.

No Brasil, em especial, parece que nossa saudosa participação no Orkut não foi uma moda passageira nas redes sociais, afinal, 78% dos brasileiros que estão na Internet estão em alguma rede social. Destaque para o Facebook, a rede mais utilizada, e o Instagram que apresenta o maior crescimento entre usuários brasileiros.

Nesse caminho, 94% dos usuários com contas em redes sociais acessam seus perfis diariamente, e destes, 38% passam mais de 4 horas por dia navegando entre as diferentes redes sociais, dados levantados em um recente estudo da área de inteligência da Rock Content. Esses números apresentados podem nos ajudar a dar uma ideia da quantidade de informações que disponibilizamos para nossos contatos, ou não, nas redes sociais, ou seja, preferências e opiniões sobre os mais diferentes temas.

Particularmente, sempre que analiso os dados das redes sociais nas pesquisas que participo, me chama a atenção como os usuários podem acabar se perdendo ao divulgar tudo que fazem, sejam marcar amigos nos locais que estiveram, ou então compartilharem preferências e suas histórias de vida. Nesse sentido, me lembro de um experimento conduzido na Europa, mais especificamente na Bélgica no ano de 2013.

Na ocasião um vidente se colocava a disposição de pedestres para mostrar que sabia muito sobre ele. A partir do momento em que o vidente, representado por um ator, começava a conversar com o participante uma equipe de analistas de dados vasculhava em questão de segundos as informações postadas pelos próprios participantes em suas redes sociais. Informações levantadas sem o mínimo de controle de privacidade por parte do próprio participante.

Enquanto o vidente se preparava para reportar o que tinha “descoberto”, a equipe de analistas já tinha informado questões como qual tinha sido a escola do participante, se tinha tatuagem, nome dos pais, o que gostava de comer, e por aí vai. Se, sem esforço já é possível entender como nós, usuários, nos comportamos, imagina como seria se as empresas pudessem conhecer nosso comportamento, e assim, produzirem materiais que pudessem direcionar nossa opinião.

Infelizmente este fato aconteceu a poucos meses, e foi logo com o Facebook, uma empresa controlada por Mark Zuckberg, que também é chefe de duas outras redes sociais, o Instagram e WhatsApp. O escândalo que foi parar com um pedido de desculpas do chefe do Facebook no congresso e senado norte americano, e ainda, no parlamento europeu, começou com uma denúncia de um ex-funcionário de uma empresa britânica chamada Cambridge Analytica. A denúncia mostrou que os dados de 87 milhões de usuários do Facebook haviam sido direcionados para receberem conteúdos referentes a propaganda eleitoral de maneira altamente personalizada.

Na ocasião, tanto para a campanha, do então candidato Donald Trump, e do Brexit, o plebiscito britânico sobre a participação do Reino Unido. A partir do mapeamento das preferências dos consumidores, empresas de conteúdo criaram conteúdo buscando influenciar o voto dos usuários. Assim, esse escândalo fez suscitar o seguinte questionamento: como minhas preferências e engajamento nas redes sociais podem ser usadas pelas empresas?

Em particular no caso do Facebook não é difícil imaginar que nosso perfil dá margem para as empresas entenderem como a postagem deve ser produzida, visando não apenas aumentar suas métricas de engajamento, mas também, para alcançar nossos amigos, e assim, fortalecer grupos de interesse para veicular seus produtos e serviços.

Na UFG, sou um dos coordenadores de um grupo de pesquisa em marketing, o ADMKT, e dentre os trabalhos do grupo buscamos desde 2013 entender o impacto da postagem nas métricas de engajamento, as quais consideramos as curtidas, comentários, compartilhamentos e o boca-a-boca, que representam as marcações de outros usuários. Nos estudos já publicados em periódicos nacionais e internacionais identificamos que a mudança de características como: a postagem não apresentar apenas o produto ou serviço, e sim na imagem do consumidor, influencia positivamente no engajamento da postagem, assim como o uso de hashtag, tipo de imagem, frequência de postgem, dentre outras variáveis.

A partir deste estudo limitado em relação a quantidade de postagens e usuários analisados conseguimos entender o que poderia ser diferente para que a motivação do usuário por engajar com a postagem fosse alterada, imagine então uma empresa com a movimentação de 87 milhões de usuários ao longo do tempo? Movimentações que representam as curtidas em perfis, usuários e postagens, o que de acordo com estudos com pesquisadores da Universidade de Stanford demonstraram nos retratar melhor do que somos com os familiares.

Dessa forma, o problema levantado com os dados do Facebook não deve ser uma discussão apenas sobre a questão de segurança dos dados, mas também, uma reflexão para que nós como usuários possamos avaliar até que ponto é realmente válido compartilhamos nossa intimidade e preferências em uma plataforma, as redes sociais, em que o objetivo é entender nossos hábitos e então direcionarem nosso perfil para visualizarmos anúncios otimizados. Cabe então, refletirmos sobre a privacidade que queremos e não criticar apenas como os dados estão sendo utilizados.

 

 

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