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Eleições e servidão

Publicado em : 22/10/2018

Fonte : Adão José Peixoto / Jornal O Popular -

O pensador francês Etienne de La Boétie publicou em 1548 um texto brilhante, “Discurso da servidão voluntária”, que se transformou num clássico da teoria política e mudou a percepção sobre a relação entre governantes e governados, com uma radical crítica às formas tirânicas de governo e às atitudes das pessoas que escolhem governantes tiranos.

Esse pensador descreve três tipos de tirania: a que é imposta pela força das armas, a que é imposta pela sucessão de raça e a que é aceita por meio da eleição. A que mais impressiona La Boétie é a que é definida pela eleição. O que o intriga é: por que as pessoas votam em candidatos tiranos e, portanto, escolhem governantes tirânicos? Por que as pessoas se submetem à servidão? Até então os teóricos compreendiam a servidão como imposição. La Boétie inverte essa lógica, ao focalizar a servidão não apenas na imposição da vontade dos governantes sobre os governados, mas também como vontade dos governados de serem dominados, como aceitação. A pergunta desconcertante de La Boétie é: por que os governados aceitam um governo tirânico, despótico, autoritário?

La Boétie acredita que primeiro porque as pessoas se acostumaram à servidão e por isso tendem a não a questionar, aceitando-a como algo natural; segundo porque se cria uma superstição em torno da figura do líder, colocando-o acima de todos e de tudo. Além disso, o segredo da dominação consiste em envolver o dominado numa rede de dominação, a saber, uma pirâmide do poder tirânico: o tirano domina alguns, estes dominam outros e assim a rede vai se ampliando até envolver todos da sociedade. No caso da tirania consentida, somos nós que damos ao tirano o poder. Por que isso acontece? Porque parcela da sociedade é tirânica. Deseja o autoritarismo porque este está interiorizado em suas ações e crenças. Assim, cada um que age desse modo acha que tem o poder e a autoridade para oprimir, subjugar ou excluir os demais. Não desejam a liberdade e a democracia, mas a tirania.

A servidão voluntária em La Boétie se refere à perda do desejo de liberdade. O que o surpreende é o fato de o homem abrir mão da liberdade, já que historicamente a desejou e lutou para conquistá-la. Isso ocorre porque na sociedade não existem só os que desejam a liberdade, mas também os que desejam a servidão.

Votar em candidato que defende a tortura, a execução, o estupro, que menospreza a mulher, o negro, o quilombola, o trabalhador, o gay, é votar em alguém que defende o autoritarismo, é abrir mão da liberdade e correr o risco de se submeter à servidão. Daí a necessidade de cada eleitor(a) repensar suas convicções e avaliar os compromissos dos candidatos para não correr o risco de eleger um tirano.

 

De: Professor Adão José Peixoto / Jornal O Popular

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