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“A arte é o reflexo do mundo em que nós vivemos”, diz artista durante abertura da VIII Exposição de Artes e Artesanato

Publicado em : 03/12/2018

Autor : Ascom Adufg-Sindicato

“A arte é o reflexo do mundo em que nós vivemos”, disse a artista Edna Goya ao definir a importância a VIII Exposição de Artes e Artesanatos de Professores da UFG. A abertura oficial do evento aconteceu na sede do Adufg-Sindicato no dia 29/11 e contou com um público interessado que lotou o Espaço de Cultural, de Saúde e Lazer.          

Seguindo a premissa defendida por Edna, a exposição refletiu o mundo em que vivemos atualmente e contou com obras diversificadas tanto em termos de técnica como de estilo. Durante a abertura do evento, a coordenadora do Grupo Travessia, Jane Sarques relembrou que a história do coletivo e da mostra andam de mãos dadas.

“Nós tínhamos o objetivo de reunir os antigos amigos, para que o professor aposentado não fique só em casa, assistindo televisão”, disse Jane sobre a criação do Grupo Travessia e da mostra, em 2010. Nesta oitava edição, a exposição abriu também as portas para professores ativos da universidade, com o objetivo de engrandecer o acervo apresentado ao público.

O presidente do Adufg-Sindicato, Flávio Alves da Silva, destacou o papel da mostra para integrar a comunidade aos professores filiados, sobretudo os aposentados. “Nós oferecemos diversas atividades aqui na nossa sede, para oferecer qualidade de vida para os nossos professores, principalmente os aposentados”, disse.

A curadoria da mostra ficou a cargo do artista plástico Alexandre Liah, que ministra disciplinas de desenho e pintura no Adufg-Sindicato. Para Liah, o evento é motivo de orgulho.

Artes

A galeria de artes montada no Espaço de Cultura e Lazer do Adufg-Sindicato abrigou cerca de 80 peças de variados estilos que incluíam pinturas, desenhos, fotografias e esculturas. O acervo foi o maior dentro todos os anos de exposição e representou uma pluralidade de temas e técnicas que agradaram o público.

Para os artistas, o sentimento de expor é uma realização pessoal que varia de acordo com a trajetória de cada um. A já veterana Cecy Curado foi citada por Jane Sarques como um dos grandes nomes que expõe desde a primeira edição do evento. A artista que se define como impressionista expôs pinturas e esculturas, sendo uma delas um autorretrato.

Para Cecy, que atualmente passa boa parte do ano em sua fazenda, é impossível não representar a figura do sertanejo. A artista destaca que o ambiente da mostra é de êxtase e contemplação. “Esse momento para mim é de socialização e retorno à convivência com pessoas com as quais eu posso conversar e me entendem. Eu estou feliz e fico muito entregue quando vejo meus colegas produzindo”, disse.

Dentre todas as obras expostas, uma grande escultura de anjo segurando uma tocha chama a atenção de todos os visitantes, que param contemplativos diante da imagem. A peça foi esculpida pela artista Heluiza Helena Melo Milcken, cujos trabalhos possuem forte inspiração da arte barroca, incluindo as temáticas sacras.

Para Heluiza, a mostra é a “oportunidade de mostrar o trabalho desenvolvido” que além de esculturas contempla também pinturas em cerâmica. A artista afirma que faz questão de participar do evento desde a primeira edição, já que representa um espaço de acolhimento.

Em muitos casos, a vida e o trabalho de artista estão próximos e é impossível separar a trajetória pessoal e a artística. A advogada Mara Xavier de Almeida estudou no colégio de aplicação e se graduou na Faculdade de Direito, totalizando 14 anos dentro da universidade. Na primeira Exposição de Artes e Artesanato, em 2010, ela expôs pinturas e, desde então não parou de produzir. Em 2018, ela voltou a apresentar seu trabalho dentro do sindicato, experiência rica, já que considera uma extensão de seu caminho trilhado junto à UFG.

Sorridente, a artista não economizou nas fotos tiradas junto à suas obras, duas telas cujo tema principal são pássaros. Voltar ao sindicato como artista oito anos depois significa, para Mara, uma auto realização. “Agora eu estou pintando profissionalmente, por encomenda. As pessoas estão vendo e elogiando. Eu pinto porque eu gosto, é um hobbie que está virando uma profissão”, argumenta a artista.

A ex-presidente do Adufg-Sindicato, Maria Ieda Burjack, expôs o trabalho que vem desenvolvendo ao longo de aulas de desenho. O trabalho da professora aposentada girou, por muito tempo, em torno de reestudo de obras de artistas inspiradores. Atualmente, no entanto, ela vem tentando desenvolver pecas autorais que partem de composições abstratas que a agradam.

Maria Ieda enxerga na exposição de artistas não profissionais, como ela se definiu, uma possibilitar de “se colocar” na arte. A ex-presidente destacou também o caráter da mostra em revelar pessoas “que não estão em aulas de arte mas produzem coisas lindas, uma possibilidade delas se expressarem do jeito que são”.

A artista plástica Edna Goya também participa desde a primeira edição da mostra e faz parte da comissão organizadora do evento. Ao longo das edições, ela disse ter notado um crescimento grande do grupo de participantes, tanto em quantidade de integrantes como no nível de qualidade do material produzido.

Para Edna, as produções artísticas expostas ganham um caráter ainda mais especial quando se trata dos aposentados. A artista plástica ressalta o caráter terapêutico da arte para os idosos, já que além de aprenderem a técnica, as pessoas encontram uma oportunidade de expressar seus sentimentos e emoções.

Novos nomes

Estreando na exposição, Valter Casseti apresentou uma série de quadros denominada Invisível, que se baseia em fotografias para criar retratos de pessoas em situações de rua. Para o artista, apresentar ao público pela primeira vez a sua criação artística vai além de ter reconhecimento e se torna uma oportunidade de reconhecer no que pode melhorar.

“A gente se inspira em alguém para criar nossa própria arte. Eu passei a me espelhar no Lucian Freud, ele é um retratista. Isso me encantou, eu preferi nessa série trabalhar mais com fotografia de pessoas de rua e fui pintando a partir dessas fotos tiradas em diversas partes do mundo”, conta Valter sobre o seu fazer artístico.

A também estreante Renata Martinussi apresentou quatro pinturas retratando diferentes realidades sociais do Brasil: uma favela, duas imagens do sertão e um indígena. Para a artista plástica e professora de filosofia é por meio da arte que se constrói um discurso político e em suas obras há sempre críticas sociais.

“Toda exposição é um prazer. Expor é lindo porque a minha obra não faz sentido guardada na minha casa, ele só faz sentido quando alguém vê ele. Sempre que exponho é uma emoção particular, a obra se completa porque eu pinto e o outro observa”, disse Renata que manifestou interesse em continuar expondo na mostra.

Artesanato

A coordenadora de artesanatos da exposição, Nancy Esperança explicou que as mesas de bordados expostos na mostra eram compostas artesãos que trabalham individualmente ou em grupo. Ela destacou o caráter terapêutico que o artesanato, sobretudo o bordado podem assumir na vida de idosos.

Já no primeiro dia da exposição, Eliane Ferreira Quintais comemorava a boa venda de seus bordados. Para a veterana no evento, participar da mostra é como estar em família. “Essa mostra é muito especial para nós. São trabalhos, como das Novas Penélopes, desenvolvido dentro da Adufg e isso é um trabalho feito ao longo do ano. São encontros semanais muito prazerosos, isso que nos dá forças”, conta.

Nancy pontua a evolução do trabalho realizado pelas Novas Penélopes. Ela destaca que as integrantes do grupo tiveram aulas e desenvolveram novas técnicas como a de bordado em jeans, uma novidade recebida com empolgação pelas bordadeiras e pelo público.

A Cooperativa Bordana, já tradicional expositora e parceira do Adufg-Sindicato, também apresentou ao público obras em bordado como panos de prato, capas para notebook, itens decorativos e nécessaires. A representante do grupo Rosemarya Taiss, aponta que o trabalho desenvolvido pelo coletivo de 23 mulheres possui um caráter integrador que vai muito além da complementação de renda que as participantes obtém a partir dos produtos comercializados.

Todas as cooperadas possuem mais de 50 anos e aprendem a arte do bordado. As mulheres desenvolvem trabalhos manuais e vendem os produtos em feiras e exposições. “Como cooperativa, existe um caráter muito forte de crescimento pessoal. A renda financeira é secundária, nós já fomos para São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais e essa oportunidade de conhecer novos lugares é incrível”, pontua Rosemarya

Mas nem só de bordados se manteve a exposição, a arte de encadernar também marcou presença. A técnica de encadernação artesanal remonta à origem dos livros. Os objetos costurados à mão e encapados com tecidos ou couro chamaram a atenção pela delicadeza e excelência durante a mostra. A responsável pelo trabalho é a professora e artista plástica Telma Camargo, do TC Objetos com Arte.

“É a terceira vez que participo desta mostra. A importância de participar destes espaços é circular entre artistas e divulgar a marca, sua produção no espaço da universidade, onde muitas vezes só reconhecem o perfil acadêmico. Mais do que a própria venda, o evento é importante para fazer circular a produção criativa”, disse Telma.

Confira a galeria de fotos do evento

 

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