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Autor: Monique Arruda

Publicado em 27/11/19 - Notícias

Professores (as) da UFJ participam de palestra sobre o Future-se e a Conjuntura Nacional

Diretor da Proifes, Geci José, falou dos impactos negativos da Reforma da Previdência e a ameaça que o Projeto representa para a autonomia das Universidades

Professores (as) da UFJ participam de palestra sobre o Future-se e a Conjuntura Nacional
Crédito imagens: Diogo Fleury

Nesta terça-feira, 26 de novembro, o auditório Maior da Universidade Federal de Jataí (UFJ), no Campus Jatobá, recebeu centenas de professores que participaram da palestra “Conjuntura política, Educação Superior e o Programa Future-se”. O tema foi abordado pelo Diretor de Assuntos Educacionais do Magistério Superior da PROIFES-Federação e docente do Instituto de Matemática e Estatística (IME) da UFG, Geci José Pereira da Silva.

O educador iniciou a sua apresentação alertando a plateia da dificuldade que o País enfrenta para debater ideias e aglutinar a sociedade. “O Programa Future-se tem muitos artigos. A Andifes mantém seu site atualizado com todas as tomadas de decisões das instituições de ensino federal em relação ao Projeto. Houve um debate enorme quando ele foi lançado pelo Ministério da Educação (MEC) e cobertura massiva dos meios de comunicação. No entanto, ele encontra-se parado, seu cronograma está atrasado. Em novembro, ele não foi enviado à Câmara. Temos que levantar a nossa guarda, estudar essa proposta e o que ela vai impactar no nosso sistema. O Future-se altera 14 leis e não menciona o Plano Nacional de Educação, que é uma lei do estado brasileiro”, declarou José.

 

Em relação à conjuntura nacional, o professor do IME fez uma análise breve por meio de uma linha do tempo desde a posse do presidente Jair Bolsonaro e todas as medidas que ele tem tomado com impacto direto nas universidades. Como:

- Nomeação incorreta de vários reitores;

-  O decreto Nº 9.730 de 28/03/2019 acabou com a autonomia das universidades para contratação e concurso de técnicos-administrativos. Agora, para seleção e contratação destes profissionais será necessário a autorização do Ministério da Economia. Com isso, a gestão e administração ficam prejudicadas;  

- Entre os meses de março e abril: corte de bolsas de estudo;

- Julho: anunciado o Programa Future-se, Projeto de Lei Orçamentária Anual (PLOA) e a Lei Orçamentária (LOA) de 2020. O orçamento terá duas fontes. Uma parte, o governo vai poder gastar se o Congresso aprovar. Hoje, 80% dos gastos das universidades é com pagamento de pessoal. E, o governo vai ter que autorizar o recebimento da remuneração dos salários dos docentes;

- A aprovação da Reforma da Previdência passou sem debate de pontos importantes. Com isso, a perda foi enorme para os professores (as). Haverá uma redução do salário líquido a partir do dia 10/02/2020 com uma perda de cerca de R$ 500.00. Além da retirada do abono de férias. Em Goiás, somente três deputados votaram contra a Reforma;

- Já a Reforma Administrativa que será encaminhada em 2020 pelo governo representa o congelamento das progressões.

 

Engajamento e luta

Segundo Geci Pereira, o governo não recebe o movimento sindical. “Não há diálogo, não estamos conseguindo ampliar a nossa base. Isso é preocupante. O Future-se não respeita a autonomia das universidades. Infelizmente, a situação ficará cada vez mais complicada. A Universidades no Brasil é algo novo que foi implementado a partir dos anos 60. Ela é um projeto de estado avesso à ignorância. E nós devemos apostar e lutar por este sistema. O Adufg participou de todas as paralisações e lutas ao longo deste ano. A diretoria tem uma agenda estratégica para sensibilizar os nossos parlamentares em prol da Educação. Mas nós precisamos nos mobilizar, juntos somos mais fortes”, pontuou.  

 

“Precisamos conhecer as leis e as regras deste governo. O Future-se que o governo coloca como “a salvação”, na verdade é o caos para a nossa autonomia, identidade e estrutura social da nossa universidade. Por isso, é tão importante discutir. E o Sindicato desempenha esse papel importante de nos proporcionar essa palestra. A comunidade acadêmica teve a oportunidade de debater com o professor Geci e tirar inúmeras dúvidas. Foi um momento muito significativo”, agradeceu a professora do curso de Graduação de Matemática da UFJ, Luciana Elias.