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Em nova fase, planetário busca engajamento da comunidade

Publicado em : 09/04/2019

Autor : Jornal do Professor

Ainda na antiguidade o céu já era utilizado pelo homem como mapa, calendário e relógio. Considerada uma das mais antigas ciências, a astronomia despertou a curiosidade dos povos chineses, babilônios, assírios e egípcios, responsáveis pelos registros mais antigos sobre o Universo, séculos antes de Cristo. Não distante disso, ele também foi palco para a criação das mais diversas histórias mitológicas, cernes de debate filosóficos e fundamentos religiosos. Sempre cercado de muito misticismo, o universo ainda é uma incógnita para grande parte da população na atualidade, barreira que o Planetário Juan Bernardino Marques Barrio deseja romper com a criação de projetos e iniciativas que visam a popularização da astronomia.

Sob gestão do Instituto de Estudos Socioambientais (Iesa) da Universidade Federal de Goiás (UFG), o planetário de Goiânia foi inaugurado na década de 1970, e recebe atualmente cerca de 25 mil pessoas por ano. Manoel Alves Rodrigues Júnior, que é diretor da unidade, explica que o público que frequenta o planetário é diversificado, porém a maioria é formada por estudantes. “Estamos na luta para que o planetário seja muito mais conhecido do que ele é. Queremos torna-lo um espaço museológico, de diversão e ensino, atingindo desde os pequeninos até os idosos. Queremos diversidade não só a nível de conhecimento, mas também de faixa etária”, aspira o físico.

Interatividade
Para atender melhor a comunidade goianiense, a unidade mantem sessões de terça-feira à domingo, com o projeto “Planetário ao alcance de todos”. Além disso, Rodrigues comenta que outras iniciativas são desenvolvidas pelo planetário, e novas ainda estão sendo projetadas para entrarem em execução ainda este ano, como a construção de um laboratório para ensino e educação em astronomia, e o museu do planetário – que mostrará na prática como funciona o sistema solar. “Temos uma bola amarela de sete metros do lado de fora do planetário, vamos transformá-la no sol e colocar os planetas em escala. A Terra por exemplo ficará a uns dez centímetros de distância. Não só a Terra mas todos os outros planetas estarão ali em escala de tamanho e distância. Neste espaço vamos conversar e discutir muitos assuntos, como por exemplo a velocidade da luz, que muitas vezes as pessoas escutam falar mas não sabem o que isso significa, com as pessoas vendo fica mais palpável. E é claro vamos usar o espaço externo também para brincadeiras e interação”, revela o diretor.

Apesar de estar em período de férias, Rodrigues atendeu de prontidão não apenas a equipe do Jornal do Professor, mas também a comunidade geral. No último eclipse total da lua, que aconteceu na madrugada do dia 20 para 21 de janeiro, o planetário abriu os portões para quem quisesse acompanhar o fenômeno. Apesar disso, o professor critica a forma como é feita a exposição midiática de alguns eventos astronômicos, que – segundo ele – acaba fortalecendo mitos e estigmas sobre o universo. " Quando se fala, por exemplo, que vai ter a Super Lua, as pessoas ligam aqui e perguntam o que é. Ou a Lua de Sangue, que muita gente se assusta e acha que vai morrer. Esse interesse pelo céu ele existe, o que falta muito são as pessoas buscarem a explicação para as coisas, entender os processos, e tirar um pouco do misticismo. Desde o início da humanidade o homem precisa do céu para entender os ciclos, e hoje não é diferente.”

Temos o projeto de abrir aqui a noite para as pessoas poderem vir e olhar pelo telescópio. Quem nunca viu saturno num telescópio assusta, porque a olho nu a gente vê um pontinho e quando olha pelo telescópio a gente vê os anéis. É fantástico!”

Ciência
Mais do que entretenimento, o planetário é um local de ensino, ciência e pesquisa. Na realidade, a unidade funciona também como um laboratório para alunos de graduação e pós graduação da UFG, de acordo com Rodrigues. Uma das poucas instituições de ensino a oferecer a disciplina de astronomia na grade curricular de alguns cursos, o planetário recebe alunos da geografia, biologia, arquitetura e já foi palco também para apresentações de trabalhos de conclusão de curso e outros eventos. “No ano passado fizemos vários eventos que foram além da astronomia. No Dia do Índio recebemos um grupo de indígenas, e fizemos pintura corporal, artesanato, divulgação do núcleo, dança, e também sessões mostrando um pouquinho do céu indígena, porque eles enxergam as constelações de forma diferente, foi um dia fantástico. Eu sempre convido o pessoal da universidade para vir para cá também e fazer projetos aqui. Já recebemos um aluno das artes que se formou e o TCC dele foi fazer uma sessão com conotação mais artística e menos conceitual em termos de astronomia. Ficou muito bonito. Estamos abertos, o planetário é um espaço diversificado e nós amamos receber as pessoas”, completa Rodrigues.

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