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Incêndio atinge laboratório da UFG em meio a discussão sobre insalubridade

Publicado em : 07/02/2018

Autor : Ascom Adufg

Por volta das 11h30 da manhã de terça-feira (6), um incêndio atingiu o laboratório de análise de alimentos, do curso de Engenharia de Alimentos, localizado na Escola de Agronomia (EA) da UFG. O fogo foi controlado por dois professores que estavam no local na hora do incidente que tiveram que entrar na sala sem qualquer proteção. “Como nós não temos equipamentos de segurança em todos os laboratórios, até a gente conseguir apagar o fogo, demorou uns 10 minutos”, conta a professora Tatiane Ferreira, do curso de Engenharia de Alimentos. Ela relata que o laboratório possuía reagentes químicos altamente inflamáveis, como etanol, por exemplo, e que mais alguns minutos poderiam ter levado a uma explosão.

“É um retrato da nossa realidade porque não temos condições. Foi um milagre. Por pouco o fogo não saiu de controle, era pra explodir, pegar fogo em todo o departamento”, relata. Segundo a professora, havia apenas um extintor em todo o prédio e eles tiveram dificuldade para encontrá-lo. Ela afirma que além de faltar equipamentos, também falta sinalização: “Até a gente achar as máscaras, muitos já tinham inalado aquela fumaça e o gás tóxico. E acredito que não é uma situação só nossa, acho que muitos outros laboratórios estão nessa condição”.

Um dos professores que apagou o fogo, Gilberto Goulart, narrou o que aconteceu: “Dois alunos estavam no laboratório e eu estava conversando com a técnica quando um dos alunos veio correndo dizer que estava pegando fogo. Eu e o professor Gabriel [Castiglioni, da Engenharia de Alimentos] saímos correndo para desligar o gás, porque não havia válvula nas proximidades”. Eles tiveram que dar a volta no prédio, o que, segundo o professor, foi uma corrida contra o relógio: “Era muito perigoso. O fogo já estava alcançando a bancada e a geladeira e o laboratório é cheio de reagentes inflamáveis”.

Após desligar o gás, os professores ficaram sem saber como conter as chamas, que se espalhavam rapidamente. “Não tinha extintor, não tinha máscara, não tinha nada”, disse Goulart, “Ninguém sabia o que fazer, todos estavam com muito medo de explosão”. Após encontrar o único extintor do prédio, ele e Gabriel entraram na sala. “Quando entramos, a situação estava muito pior”, disse Gilberto, “O laboratório estava cheio de uma fumaça preta tóxica, muito pesada. Boa parte da geladeira já havia sido consumida assim como equipamentos e até o ar condicionado e o fogo estava prestes a atingir os produtos químicos. Por uma questão de minutos, não ocorreu uma explosão. Era um cenário de filme terror.”

Por causa da fumaça tóxica, Gilberto conta que ele e o professor Gabriel se sentiram mal, mas não encontraram médico no posto da UFG: “Tivemos que ir pro Cais, porque não tinha pronto atendimento para isso no campus. A situação de socorro no campus foi precária, no posto não tinha médico, pois ele só chegava às 14h”. Ele destacou que uma situação mais grave podia ter acabado em tragédia, pois “seria ou esperar uma ambulância ou morrer. É uma situação gravíssima, porque todos nós, alunos, professores e técnico-administrativos, estávamos terrivelmente expostos”.

Falha de segurança

O acidente reacendeu a discussão sobre a falta de equipamentos de segurança nos laboratórios da universidade. No ano passado, um aluno da Medicina Veterinária, Lucas Silva Mariano, de 21 anos, sofreu um acidente fatal enquanto realizava atividades de estágio. O incêndio também ocorre em meio à discussão sobre a redução no adicional de insalubridade dos professores do ICB de 20% para 10%, demanda que o Adufg Sindicato levou à reitoria na semana passada. “Eu entrei em 2013 e só consegui o adicional de insalubridade em 2017. Falaram que eu não tinha direito ao adicional”, conta a professora Tatiane. “Tive que entrar com processo junto com o Adufg. Foi uma luta para que eles reconhecessem que os professores ali tinham esse direito. E ainda temos professores ali que não recebem”, relata, “Nós trabalhamos em um local com reagentes, com risco de explosão. Quando entrei minha insalubridade foi negada e, veja bem, só consegui quatro anos depois com nova perícia. É um absurdo”.

"Ontem os professores tiveram dificuldades em encontrar extintores e uma válvula de segurança para desligar o gás do laboratório, por isso correram risco de presenciar uma explosão. No ano passado tivemos uma morte devido à falhas de segurança do trabalho”, relembra o presidente do Adufg Sindicato, Flávio Alves da Silva. “A situação dos laboratórios e das condições de trabalho na UFG deve ser prioridade da reitoria, porque as vidas de nossos docentes, estudantes  e técnico-administrativos estão em jogo”, completa.

Não conseguimos contato com o novo diretor da EA, professor Marcos da Cunha, até o momento desta publicação pois ele estava em reunião na reitoria.

ATUALIZADA - Pelo telefone, o diretor da EA, Marcos da Cunha, disse que a prioridade agora é descobrir o que causou o incêndio e impedir que algo semelhante se repita. “Estamos apurando os fatos ainda. Tivemos uma reunião ontem e já debatemos algumas propostas, mas vamos primeiro entender o que aconteceu para daí tomar providências para sanar esse problema e para, no longo prazo, evitar que isto ocorra”, declarou o diretor.

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