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Autor: Ascom Adufg-Sindicato
Publicado em 12/02/2026 - Notícias
Primeira Quarta Cultural de 2026 valoriza obras de arte realizadas por filiados do Adufg-Sindicato
A primeira edição da Quarta Cultural de 2026 reuniu arte, sensibilidade e expressão autoral no foyer da sede administrativa do Adufg-Sindicato, em Goiânia, nesta quarta-feira (11/02). O principal destaque da noite foi a vernissage da exposição “Encontros Artísticos”, composta por obras produzidas por docentes sindicalizados durante as oficinas ministradas pelo professor Alexandre Liah, graduado em Artes Visuais pela UFG.
Ao todo, oito sindicalizados assinam os trabalhos expostos: Alexandre Liah, Guilherme Lopes, Mauro Prado, Dulce Terezinha da Cunha, Ana Amélia Afonso, Vania Jardim, Neusa Margarida Balbino e Jane Sarques.
Técnica, afeto e construção autoral
Curador da exposição e mentor dos artistas, Alexandre Liah acompanhou de perto o processo criativo de cada participante, aplicando fundamentos e técnicas trabalhadas ao longo das oficinas. “Trabalhamos desde o desenho até o uso de giz pastel e a pintura em acrílica sobre tela”, explicou.
Segundo ele, cada artista buscou extrair elementos afetivos — reais ou imaginários — para compor suas pinturas. “Procuramos transformar todo aprendizado em um trabalho que seja autoral e pessoal para quem o fez”, destacou.
Entre as expositoras está a professora aposentada da Faculdade de Nutrição da UFG, Dulce Terezinha da Cunha, que relatou não ter mantido uma relação próxima com o fazer artístico antes das aulas. “Sempre tive vontade de pintar e desenhar, mas não sabia. Ao longo das aulas, os quadros foram lentamente tomando forma. Fiquei bem satisfeita com o resultado, considerando que não tinha nenhuma experiência anterior”, contou.
Para os trabalhos expostos, Dulce utilizou duas técnicas distintas — derramamento de tinta e pintura por relevo — e levou de duas a quatro aulas para concluir cada obra.
Natureza como inspiração e transformação estética
A natureza é a principal fonte de inspiração da artista. “Gosto muito das árvores, em especial dos ipês”, afirmou, ao apontar para uma de suas telas que retrata um ipê-amarelo - espécie que, em sua avaliação, simboliza o estado de Goiás. Dulce também transforma memórias e registros fotográficos em arte. “Um dos meus quadros expostos no ano passado foi baseado nas montanhas que vi ao visitar os Alpes italianos”, relatou.
O professor da Faculdade de Medicina da UFG, Guilherme Lopes Barbosa, também expositor, descreve seu método como um “processo criativo-destrutivo”. “Tenho uma inspiração baseada em uma ou mais obras, faço a montagem de duas ou três imagens e começo a desenhar um esboço. Em determinado momento, eu brinco que passa uma tempestade no quadro, e certas porções dele são completamente apagadas”, explicou.
Em sua obra atual, que retrata um porto aparentemente calmo, elementos originalmente previstos foram retirados durante o processo. “Aqui havia um farol e um barco, mas ambos foram retirados para deixar um pôr-do-sol mais tranquilo na paisagem”, detalhou.
Guilherme, que já realizou exposição individual na Quarta Cultural do Adufg-Sindicato, percebe uma transformação em sua trajetória artística. “No início, minhas telas eram mais escuras, tensas e melancólicas. Agora estão mais claras e vibrantes”, observou. Assim como Dulce, ele também encontra na natureza — especialmente no mar e no céu - sua principal referência estética. “Insisto em pintá-los de maneira mais suave e com tons mais aquarelados”, acrescentou.
Arte como expressão e pertencimento
Ao refletirem sobre o significado da arte, os artistas convergiram na dimensão subjetiva e transformadora do fazer artístico. “Arte é vida. É algo que vem de dentro e faz bem à alma. Qualquer tipo de arte merece ser admirado”, afirmou Dulce.
Alexandre Liah ressaltou o caráter atento e sensível da prática artística. “É impressionante perceber como uma pintura pode surgir a partir de observações. A arte está em todo lugar, e todos somos capazes de capturá-la”, disse.
Para Guilherme, a arte também é forma de comunicação. “Muitas pessoas dizem que a arte mostra o que não temos coragem de falar. Fazemos arte na esperança de que alguém, um dia, possa nos escutar.”
Veja um pouco de como foi o evento: