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Autor: Ascom Adufg-Sindicato

Publicado em 27/02/2026 - Notícias

Plenária no Adufg debate fim da escala 6x1 e cenário político nacional com o ministro Guilherme Boulos

Plenária no Adufg debate fim da escala 6x1 e cenário político nacional com o ministro Guilherme Boulos

O Adufg-Sindicato sediou, na noite desta quinta-feira (26/02), uma plenária com o ministro da Secretaria-Geral da Presidência da República, Guilherme Boulos, com o objetivo de fortalecer o diálogo institucional entre organizações da sociedade civil e o Governo Federal. A atividade, organizada por sindicatos e movimentos sociais, reuniu representantes de entidades sindicais, lideranças políticas e membros da sociedade civil, que apresentaram demandas e análises sobre políticas públicas em curso no Estado.

Representando a diretoria do Adufg-Sindicato, estiveram presentes o primeiro vice-presidente, professor Humberto Carlos Ruggeri Júnior; a diretora de Comunicação, Promoções Sociais, Culturais e Científicas, professora Glaucia Carielo; o diretor administrativo, professor Cristiano Farias; e a diretora de Assuntos Educacionais e de Carreira, professora Maria José Pereira.

Em nome da diretoria do Adufg-Sindicato, o 1º vice-presidente, professor Humberto Carlos Ruggeri Júnior, deu as boas-vindas aos participantes e destacou a importância de a entidade sediar uma plenária que fortaleça o diálogo entre o Governo Federal e a sociedade civil. “A presença plural de todas e todos fortalece a construção coletiva de caminhos em defesa do Brasil e do nosso povo. Desejo que tenhamos um excelente debate, produtivo e propositivo, marcado pela escuta qualificada e pelo compromisso com os interesses nacionais. Sempre estaremos de portas abertas para toda a sociedade civil e para todos aqueles que lutam em defesa de um país mais justo e solidário”, afirmou.

Geopolítica mundial

O ministro Guilherme Boulos iniciou sua fala destacando a importância das eleições para a Presidência da República neste ano. “Nosso país estará no centro do mundo, já que teremos um processo eleitoral decisivo não só para o Brasil, mas também para o cenário internacional, por dialogar diretamente com a geopolítica mundial”, disse.

Em seguida, citou a intervenção dos Estados Unidos na Venezuela, durante o governo do presidente Donald Trump, mencionando a captura do presidente Nicolás Maduro e desdobramentos econômicos envolvendo a comercialização de petróleo venezuelano. Para o ministro, o episódio demonstra a centralidade da América Latina nas disputas globais.

“O presidente Lula se manteve firme em evitar que a economia brasileira fosse colonizada pelos EUA”, acrescentou, apontando as terras raras e os minerais críticos como matérias-primas estratégicas brasileiras de interesse internacional. Segundo Boulos, a reeleição de Lula teria impacto direto na geopolítica mundial, afirmando que “ele foi o único chefe de Estado que enfrentou Trump publicamente em relação ao tarifaço”.

Ao concluir essa parte da fala, afirmou: “Ou queremos um Brasil para os brasileiros, ou voltamos a ser uma colônia do hemisfério norte. Cabe aos eleitores escolher um governo que lute pelo povo trabalhador”.

Escala 6x1

Na sequência, o ministro abordou o debate sobre o fim da escala 6x1, afirmando que a discussão sobre a jornada de trabalho será um dos principais embates políticos dos próximos meses.

“Faz 38 anos que o Brasil não altera a jornada de trabalho. De lá para cá, a tecnologia evoluiu significativamente, o que permite discutir a redução da exaustão e do burnout entre os trabalhadores”, argumentou.

Boulos citou pesquisa da Nexus que aponta que 73% dos brasileiros apoiam o fim da escala 6x1 e defendeu mobilização social para pressionar o Congresso Nacional. “Foi o povo nas ruas que pressionou as maiores mudanças no país”, lembrou.

Segundo ele, o presidente Lula deverá encaminhar, nas próximas semanas, um projeto em regime de urgência para extinguir a escala 6x1. Nesse formato, caso a proposta não seja votada em até 45 dias, a pauta da Câmara fica trancada, impedindo a votação de outras matérias até que o projeto seja apreciado.

O ministro destacou ainda que o debate envolve dois pontos centrais: a redução da jornada para, no máximo, 40 horas semanais e a manutenção da remuneração. Estudos da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), mencionados por ele, indicam que a redução da jornada de 44 para 36 horas semanais pode gerar até 4,5 milhões de empregos e elevar a produtividade em até 4%. “A posição do governo é acabar com a escala e diminuir a jornada sem reduzir salários”, declarou.

Disposição para o debate

Encerrando sua fala, o ministro destacou a importância do debate público nos próximos meses. Segundo ele, governos de esquerda no mundo têm enfrentado ataques baseados na desinformação e na construção de narrativas simplificadas.

“Não precisamos ter medo do debate. Vivemos em um governo que enfrenta os temas de forma aberta”, afirmou, defendendo a organização de uma narrativa capaz de dialogar com a população trabalhadora.

Boulos ressaltou ainda que a disputa eleitoral envolve não apenas a Presidência da República, mas também a composição do Congresso Nacional. “Se reelegermos o presidente e mantivermos o mesmo Congresso, vencemos a eleição, mas não garantimos a aprovação das nossas pautas”, afirmou, defendendo a ampliação da bancada progressista.

Ao final, conclamou os presentes a fortalecerem a mobilização política no Estado. “Acredito que Goiás terá uma contribuição importante nesse processo”, finalizou.

Assista o vídeo do evento abaixo: