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Autor: Ascom Adufg-Sindicato
Publicado em 07/07/2026 - Notícias
Adufg-Sindicato recebe exibição de documentário sobre Tarzan de Castro
O Adufg-Sindicato sediou, no dia 25 de junho, a exibição do documentário "Tarzan de Castro: Vida, Lutas e Sonhos". Após a sessão, o público participou de um debate com o ex-deputado federal Tarzan de Castro, os diretores Raimundo Alves e Karla Rady e o professor aposentado da Faculdade de Informação e Comunicação da UFG (FIC-UFG), Juarez Maia.
Dirigido por Raimundo Alves e Karla Rady, o documentário reconstrói a trajetória de Tarzan de Castro, uma das principais referências da resistência à ditadura militar em Goiás. Líder estudantil em Goiânia nos anos 1960 e ex-guerrilheiro, Tarzan teve os direitos políticos cassados após o golpe militar, foi preso diversas vezes, viveu o exílio no Chile e na França e retornou ao Brasil com a anistia, em 1979. Posteriormente, exerceu mandato como deputado estadual em Goiás.
Representando a diretoria do Adufg-Sindicato, a presidenta, professora Geovana Reis, destacou a importância da atividade para a entidade. "A vida de Tarzan de Castro é dedicada ao sonho de construir uma sociedade mais justa, com menos exclusão, onde as pessoas possam partilhar as coisas de forma colaborativa. Não tem como o sindicato não se identificar com essa trajetória", declarou.
A construção da memória
Emocionado, Tarzan de Castro afirmou que a exibição do documentário representa a concretização de um trabalho de preservação de sua história desenvolvido ao longo de décadas. "Ao longo do tempo, juntei um manancial de informações sobre minha trajetória, com o intuito de passá-las para as novas gerações, que precisam saber o que realmente se passou durante a ditadura militar. Foi como um carrasco oprimindo as várias liberdades que tínhamos."
A codiretora Karla Rady contou que a ideia do documentário nasceu da convivência com Tarzan, quando atuava como editora da revista Hoje. O projeto ganhou força após a leitura do livro-reportagem Tarzan de Castro: Vida, Lutas e Sonhos, publicado em 2016 e escrito por Tarzan de Castro e Juarez Maia. "Lembro que, no lançamento do livro, há dez anos, falei para mim mesma: 'Agora esse filme vai sair'."
Segundo Karla, um dos aspectos mais marcantes da pesquisa foi perceber a distância entre os fatos vividos e a forma como esse período costuma ser apresentado. "Dá para ver claramente que existe um recorte, porque a história, como ela é, possui suas nuances. Há muita coisa em jogo que nós não aprofundamos. Por isso, creio que essa história precisava ser contada e compartilhada com mais pessoas, porque, através do Tarzan, contamos a trajetória de diversas pessoas que viveram esse período", ressaltou.
O codiretor Raimundo Alves destacou que o maior desafio da produção foi revisitar os cenários da repressão enfrentados por Tarzan. "Quando se faz um projeto desse, você acaba se vendo na pele daquela pessoa, visitando os locais onde ela foi torturada e presa, e nós fizemos isso intensamente. O Chile, em particular, foi um local muito pesado, por entrarmos em um estádio onde milhares de torturas e assassinatos foram cometidos", disse.
Democracia e memória
Durante o debate, Karla Rady ressaltou que, ao longo da produção do documentário, o Brasil voltou a conviver com discursos favoráveis à ditadura militar, o que, segundo ela, reforça a importância de preservar a memória desse período. "Desde a concepção do documentário até a exibição, passamos por alguns fatos históricos drásticos no nosso país, com algumas pessoas até chegando a pedir pelo retorno da ditadura. Como algo tão cruel pode ser tão banalizado hoje em dia? Por isso, precisamos sempre manter as memórias acesas. Histórias como essa podem ser retiradas de contexto e, consequentemente, apagadas em meio aos delírios coletivos da população", destacou.
Encerrando o debate, Tarzan de Castro reafirmou sua defesa da democracia e destacou que ela deve ser permanentemente fortalecida. "Para mim, a democracia é a maior conquista da humanidade e devemos defendê-la e aprofundá-la permanentemente. Ela não é estática, precisa ser cuidada, para se adaptar às novas conquistas e formas de vida criadas ao longo do tempo. É nosso dever preservá-la até que a humanidade encontre igualdade e direitos para todos, não somente para uma minoria privilegiada", concluiu.