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Autor: Ascom Adufg-Sindicato

Publicado em 06/03/2026 - Brasil de Fato, Na mídia

Projetos contra meio ambiente resultam de agenda conversadora em ano eleitoral no Congresso, diz geógrafo

Wagner Ribeiro, professor da USP, comenta os 70 projetos em tramitação que enfraquece políticas ambientais

Projetos contra meio ambiente resultam de agenda conversadora em ano eleitoral no Congresso, diz geógrafo

O Observatório do Clima lançou na Câmara dos Deputados a Agenda Legislativa 2026, que traz as discussões previstas no Congresso contrárias o meio ambiente. São pelo menos 70 projetos com potencial de ampliar a devastação ambiental no Brasil, incluindo flexibilizações de licenças, enfraquecimento da proteção da Mata Atlântica e até a privatização das praias brasileiras.

“É muito preocupante. Estamos assistindo uma movimentação muito intensa de congressistas conservadores, anti-ambientalistas, portanto, anti-constituição brasileira. Num desespero de final de mandato, querem empurrar esse entulho legislativo sem nenhuma discussão, sem ouvir premissas científicas”, avalia Wagner Ribeiro, geógrafo e professor de pós-graduação em Ciência Ambiental da Universidade de São Paulo (USP), no Conexão BdF, da Rádio Brasil de Fato.

Ribeiro cita exemplos concretos do pacote antiambiental. “A flexibilização mais uma vez do licenciamento ambiental é algo que traz muita preocupação. Mas tem também coisas muito específicas, como uma lei que tenta flexibilizar todo o arcabouço jurídico de proteção da Mata Atlântica.”

“A Mata Atlântica tem um papel fundamental para prover água na região metropolitana de São Paulo. É o único bioma brasileiro que tem uma lei específica para conservação ambiental, e eles querem acabar com isso”, destaca.

Para Ribeiro, a extrema direita odeia o meio ambiente porque restringe o que eles querem fazer. “Não dá para fazer de qualquer jeito. Você tem que pedir licença, sim, para o Estado para fazer uma intervenção. E isso incomoda. Eles não querem pedir licença, querem fazer as ações ao seu bel-prazer, sem levar em consideração o interesse geral.”

O professor elogia a atuação do ministro Flávio Dino, que enfrentou o Congresso e suspendeu emendas parlamentares destinadas a obras de degradação ambiental.

Ribeiro aproveita para criticar o sistema de emendas. “As emendas parlamentares têm dois problemas fundantes. Primeiro, a ausência de transparência, de democracia, que facilita o clientelismo. Segundo, estamos roubando um atributo que na Constituição está claramente destinado ao poder Executivo. É tirar espaço de um governo eleito.”

Para Ribeiro, a extrema direita odeia o meio ambiente porque restringe o que eles querem fazer. “Não dá para fazer de qualquer jeito. Você tem que pedir licença, sim, para o Estado para fazer uma intervenção. E isso incomoda. Eles não querem pedir licença, querem fazer as ações ao seu bel-prazer, sem levar em consideração o interesse geral.”

O professor elogia a atuação do ministro Flávio Dino, que enfrentou o Congresso e suspendeu emendas parlamentares destinadas a obras de degradação ambiental.

Ribeiro aproveita para criticar o sistema de emendas. “As emendas parlamentares têm dois problemas fundantes. Primeiro, a ausência de transparência, de democracia, que facilita o clientelismo. Segundo, estamos roubando um atributo que na Constituição está claramente destinado ao poder Executivo. É tirar espaço de um governo eleito.”