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Autor: Ascom Adufg-Sindicato
Publicado em 28/07/2026 - Brasil de Fato, Na mídia
Governo Lula colocou limite na tentativa de os EUA interferirem nas eleições brasileiras, avalia especialista
O Itamaraty negou o visto para dois diplomatas estadunidenses que seriam enviados pelo governo de Donald Trump para lançar dúvidas sobre o sistema eleitoral brasileiro em meio às eleições de outubro, medida considerada grave pelo governo federal. O departamento de Estado dos EUA, chefiado por Marco Rubio, afirmou que viria ao Brasil em “missão sobre liberdade de expressão”, mas o governo brasileiro expôs a tentativa de interferir nas eleições.
Em entrevista ao Conexão BdF, da Rádio Brasil de Fato, Marcial Suárez, professor da Universidade Federal Fluminense (UFF) e membro do Observatório de Política Externa Brasileira (OPEB), defende que é preciso observar o movimento que o governo Trump tem realizado nas eleições de toda a América Latina antes de avaliar a medida adotada pelo Itamaraty.
“Há um claro interesse do governo estadunidense em, se não interferir, criar condicionamentos possíveis ou constrangimentos possíveis que favoreçam um determinado perfil ideológico ou um determinado candidato. No caso específico brasileiro, esse processo já vem se construindo há algum tempo”, afirma.
Suárez cita o componente político do tarifaço aplicado por Trump contra o Brasil, após articulação de Flávio Bolsonaro, que teve o objetivo central de tentar fragilizar a candidatura à reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Nesse sentido, o especialista considera que a reação do Brasil foi incisiva e buscou traçar um limite dessa relação. “Os dois enviados são diretamente ligados ao Marco Rubio, o que já deixou bastante clara a sua opinião e a sua posição política em relação ao processo eleitoral brasileiro”, aponta.
Marcial Suárez avalia que o Brasil deve manter a lisura de seu processo eleitoral, como sempre fez, e mostrar ao mundo que realiza eleições “plurais, limpas, com participação cidadã e aditamento”. “O Brasil deve manter o seu processo eleitoral, o Tribunal Superior Eleitoral deve agir de forma clara e objetiva. E, no mais, não se pode fazer muita coisa, porque a pressão externa, principalmente por parte dos Estados Unidos, que é o principal interessado em estabelecer na América Latina um alinhamento direto”, diz.
“Se nós compormos, digamos, uma análise rápida sobre os países sul-americanos, especificamente, o Brasil é o último ator com algum grau de autonomia mais significativa e com potência política, que se contrapõe, em alguma medida, à política dos Estados Unidos para a região”, afirma Suárez.