Notícias

Autor: Ascom Adufg-Sindicato

Publicado em 30/04/19 - Saúde

Estilo de vida pode ser aliado ou inimigo da diabetes

Estilo de vida pode ser aliado ou inimigo da diabetes

O estilo de vida que levamos tem impactos diretos e indiretos em nossa saúde. As escolhas relativas a alimentação e práticas físicas são alguns dos fatores mais importantes na manutenção da qualidade de vida. Com o passar dos anos, quando negligenciamos tais atividades, o corpo apresenta consequências que surgem na forma de doenças como a diabetes.

A especialista em nutrição clínica, Hellen Christina Neves Rodrigues, explica que há diversos mitos que rondam a diabetes, a começar por suas causas. A doença se divide em dois tipos, o tipo 1 está relacionado a fatores genéticos e incide com menos frequência na sociedade, nesses casos á preciso que o paciente faça uso contínuo de insulina. Já o tipo 2 é mais comum e está associado a uma disfunção na excreção do hormônio insulina, estando mais associado ao estilo de vida.

“O diabetes é multifuncional, alguns fatores causais que podem estar relacionados são um quadro de hipertensão, um quadro de obesidade, sedentarismo. Não dá para falar em um fator único, são fatores somados ao longo do tempo. No entanto, a prevalência do diabetes tipo 2 tem aumentado em uma relação crescente com o envelhecimento populacional e maiores indices de obesidade”, esclarece.

Após desenvolvido o quadro de diabetes, a principal consequência é para a qualidade de vida. Hellen aponta que pacientes diabéticos apresentam menos disposição para realizar atividades cotidianas, mesmo que sejam simples. Além disso, a nutricionista alerta para outras doenças que possuem na diabetes seu fator de risco, como no caso de pacientes renais crônicos.

Alguns órgãos também podem ser lesionados em caso de diabetes não tratada ao longo dos anos. Hellen explica que o paciente diabético está mais sujeito a cegueira e problemas de cicatrização. Outra preocupação para o diabético é a hipoglicemia (o contrário do diabetes), que pode acontecer quando o organismo é privado de açúcar por longos períodos, podendo ocasionar desânimo, desmaios e até coma.

Grupos de risco

Dados da Vigilância de Fatores de Risco e Proteção para Doenças Crônicas por Inquérito Telefônico (Vigitel), órgão ligado ao Ministério da Saúde, mostram que entre 2006 e 2016 o número de brasileiros com diabetes cresceu 61,8%. Em Goiânia, o crescimento maior foi observado entre os homens, cujo percentual de incidência da doença aumentou 76% no mesmo período.

“Uma das causas que pode ser justificada é que o homem por si só, procura pouco o sistema de saúde. O diabetes tipo 1 é mais fácil de diagnosticar. Agora, o diabetes tipo 2 como ele vai surgindo e é consequente de outros fatores, se demorar a procurar o sistema de saúde, ao ser diagnosticado pode já estar em estado avançado”, aponta Hellen.

A nutricionista esclarece que apesar do número de incidência elevado entre os homens, há três grupos de risco merecem atenção especial. A prevalência de idosos diabéticos é grande. Nesta população, conta Hellen, as mudanças de hábitos alimentares são difíceis e os profissionais de saúde podem encontrar resistência ao propor tratamentos.

“Gestantes também são um grupo de risco. Existe uma outra condição chamada diabetes gestacional que vai ser qualquer alteração da glicemia que passa a ocorrer quando a gestante começa a gerar o bebê. Também é muito perigoso pois pode ocasionar doenças para o bebê como hipoglicemia e elevado peso ao nascer”, acrescenta.

O terceiro grupo de risco são as crianças. A nutrição atribui os altos índices de diabetes na infância a um processo de transição de hábitos alimentares. Hellen explica que a maior oferta de alimentos industrializados é a principal causa da doença nesta população.

Tratamentos

Hellen aponta que o tratamento adequado para cada paciente diabético deve ser personalizado conforme a faixa etária e a realidade em que a pessoa está inserida. O que prevalece, em todos os casos, é que a dieta adequada e o exercício físico com acompanhamento são partes essenciais da mudança de estilo de vida relacionada ao combate a diabetes.

As dietas, como aponta a nutricionista, não pode ser restritiva, ou seja, eliminarem determinado tipo de alimento. O que deve ser feito é um controle de glicemia, garantindo que os níveis da mesma não estejam muito elevados ou muito baixos.

“A gente tem que pensar em um fator que se chama equilíbrio nutricional. Não é porque a pessoa tem diabetes que ela precisa necessariamente de uma restrição radical de carboidratos. É importante pensar que é preciso ter um equilíbrio entre macro nutrientes- carboidratos, proteínas e lipídios- e micronutrientes- vitaminas e minerais. Quando se faz dietas nutritivas o risco de apresentar deficiência de micronutrientes é grande e isso é arriscado”, argumenta.

A nutricionista atenta também que mesmo quando há uso de medicamentos para controlar a glicemia, as dietas adequadas continuam sendo necessárias. Este controle da alimentação é importante não somente para tratar a diabetes, como para prevenir o surgimento da mesma.

Outro passo importante no tratamento da diabetes é o acompanhamento de uma equipe multidisciplinar que acompanhe várias esferas da vida do paciente. Em muitos casos, como lembra Hellen, o tratamento psicológico é deixado de lado. No entanto, a saúde mental é igualmente importante.

“Não existe uma fórmula mágica. Existe uma mudança no estilo de vida com foco na alimentação e no exercício físico. Existe uma dificuldade em colocar em prática a informação que está disponível. Por exemplo, a criança não vai ao supermercado e faz as compras de casa, precisa-se ter uma mudança conjunta, isso vale para o idoso e também para o paciente saudável que quer prevenir doenças”, finaliza.