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Autor: Ascom Adufg-Sindicato

Publicado em 28/03/19 - Jornal do Professor

Palestras abordam assédio e suas várias faces dentro das instituições

Palestras abordam assédio e suas várias faces dentro das instituições

De forma sutil ou escancarada, o assédio moral está presente em grande parte das empresas públicas ou privadas, e a informação é o melhor caminho para se combater o problema. Pensando nisso, a Universidade Federal de Goiás (UFG) promoveu nesta quarta-feira, dia 27 de março, duas palestras com o objetivo de reduzir situações de assédio moral dentro da instituição. A iniciativa, que faz parte de uma campanha da qual o Adufg-Sindicato é parceira, reuniu as maiores especialistas no assunto e debateu as principais formas de assédio moral e também sexual dentro das organizações.

Direcionado para os gestores das unidades da UFG, o primeiro evento aconteceu no auditório da Biblioteca Central – localizada no Campus Samambaia. Com debates promovidos pela Juíza do Tribunal Regional do Trabalho 4ª Região do Rio Grande do Sul, Valdete Souto Severo, pela Procuradora Federal junto ao Instituto Federal do Ceará (IFCE), Diana Guimarães Azin, e pela professora titular do Departamento de Psicologia da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), Suzana da Rosa Tolfo, a atividade abordou as formas de identificação do assédio moral, suas características, como evitar e o que pode ser feito a respeito.

Quando se trata de assédio moral, é comum associá-lo apenas do chefe para o subordinado, porém existem outros tipos do problema. Suzana abriu o evento explicando para os participantes que o assédio pode ser descendente, que se dá de forma vertical (de cima para baixo), ascendente, também de maneira vertical (dos subordinados para a chefia), e o paritário, que ocorre de forma horizontal, quando um grupo isola e assedia um membro e seu principal objetivo é eliminar concorrentes, sobretudo quando este indivíduo vem se destacando com frequência perante os superiores. “O abuso do poder pode vir de diversas direções, e pode acontecer – ainda – dele ser misto, quando o indivíduo é assediado por todos os lados.”

Em seguida, Valdete levou para os presente casos de abusos de poder, que muitas vezes não são considerados dessa forma, e acabam passando desapercebidos pelo próprio assediado. A Juíza criticou, por exemplo, o estímulo da competição entre os colaboradores pelas chefias, impondo metas inatingíveis e ridicularizando equipes que não se destacam. Outro ponto que deve ser observado com cautela pelos gestores é a invasão da vida privada do colaborador, como comentários que dizem respeito à rotina do trabalhador foram do local de trabalho. “Quando a gente fala de assédio moral no Brasil temos que ter dois fatores em mente. O primeiro é que vivemos em um sistema capitalista naturalmente abusador, e o segundo é que herdamos a cultura da era escravocrata”, argumentou.

Diana contou sobre a sua experiência com o IFCE. Ela lembrou que quando começou a receber as denúncias de assédio vindas da instituição, visitou todas as 35 unidades de campus espalhadas por todo o Estado do Ceará para conversar com gestores e subordinados. A Procuradora comentou que entrar numa instituição para investigar supostos casos de assédio moral e sexual é ‘como mexer em um vespeiro’. “Hoje, o assédio é uma praga dentro das instituições de ensino. Vivemos numa cultura machista, em que o homem acredita que ele tem poder sobre o corpo da mulher. Infelizmente essa realidade está muito presente ainda”, lamentou.

O assédio é um assunto que sempre gera muito interesse público, e precisa ser comentado de forma mais efetiva. Por isso, em sua edição de maio, o Jornal do Professor abordará de forma mais completa o tema. Não perca!