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Autor: Ascom Adufg-Sindicato

Publicado em 19/08/19 - Notícias

ICB recebe palestras sobre o Programa Future-se

As falas foram do professor Geci José Pereira da Silva, professor do IME e diretor da Proifes-Federação, e do advogado do Adufg-Sindicato, Elias Menta

ICB recebe palestras sobre o Programa Future-se

Na manhã desta segunda-feira, 19, o auditório Carlos Chagas do Instituto de Ciências Biológicas (ICB I) recebeu duas palestras de esclarecimento sobre o Future-se, projeto do Governo Federal para flexibilizar o financiamento e a gestão das universidades federais. As falas foram do professor Geci José Pereira da Silva, professor do Instituto de Matemática e Estatística (IME) e também membro da diretoria da Proifes-Federação, e do advogado do Adufg-Sindicato, Elias Menta.

Em sua fala, o professor Geci começou destacando o histórico de ataques do Governo Federal à Educação ao longo deste ano e depois seguiu para esmiuçar, ponto a ponto, os problemas de cada artigo do Future-se. Ele relembrou que o Future-se foi quase "imposto", já que foi proposto sem qualquer consulta à Andifes, à Proifes, ou qualquer outra entidade representativa da categoria docente.

Também fez críticas à consulta pública do Programa, ainda no ar e que pode ser votada online até o dia 29 de agosto, que está hospedada em um site de OS e que não apresenta a documentação que corrobore e justifique o Projeto, algo que é exigido em consultas deste tipo. "Claramente foi feita a toque de caixa", declarou. Outra crítica do docente foi que tudo o que está previsto na suposta reforma administrativa já existe e é executado pelas universidades, como relatórios anuais de gestão, avaliação dos professores pelos alunos e ouvidoria: "há anos a UFG cumpre tudo isso à risca com diretrizes sérias e bem definidas", completou.

Então chegou aos principais problemas, começando ao fato de que o Programa permite que o HC passe a atender planos de saúde privados, mas apresentou, como esperado, as Organizações Sociais como sendo o maior problema, assim como a maior incógnita. "Vai ser estabelecido um comitê gestor e é ele que decide para onde vai o dinheiro, além de limitar gastos com pessoal, ou seja, tira da universidade essa autonomia financeira e a recomposição de pessoal", disse.

E deu um exemplo muito bom: "autonomia financeira e autonomia de gestão financeira são coisas diferentes. Se eu dou mil reais para o meu filho, ele tem autonomia de gestão financeira para gastar como quiser, mas ele tem que se virar com esses mil reais, porque ele não tem a autonomia financeira". E completou: "estamos passando a gestão da universidade para fora da universidade e não está claro como isto será feito".

Ato contra o Future-se

Geci encerrou convocando os professores à mobilização e para a participação na Assembleia do dia 22 de agosto, às 14 horas, no pátio da Reitoria, assim como em outros movimentos de rua. "Todos nós temos viés ideológico, mas este é o momento de estar unido. É defender a sobrevivência da universidade. As nossas diferenças são algo a ser discutido depois. Precisamos nos unir contra um inimigo comum. O professor precisa tirar o paletó, botar a camiseta e ir pra rua".

Esteve presente o advogado Elias Menta que destacou principalmente as inconsistências jurídicas do que foi proposto, mas que concordou plenamente com a fala de Geci: "OSs não são um mar de rosas, há muitas questões que surgem dessa simbiose entre público/privado. Foram inúmeros os problemas na Saúde em todo o País", chamou a atenção.