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Autor: Ascom Adufg-Sindicato
Publicado em 31/07/2026 - Notícias
Casos de racismo e injúria racial aumentam 22,1% em Goiás; universidade é peça-chave no enfrentamento
Os casos de racismo e injúria racial registrados em Goiás cresceram 22,1% no último ano, segundo o Anuário Brasileiro de Segurança Pública. O número de ocorrências passou de 770 para 940, índice superior ao crescimento nacional, de 13,5%. Em todo o Brasil, quase 100 mil pessoas foram vítimas desses crimes no período.
Diante desse cenário, a universidade pública tem papel fundamental na produção de conhecimento, na formação de profissionais e na construção de políticas e ações voltadas ao enfrentamento do racismo. Nesse contexto, docentes e instituições de ensino superior assumem protagonismo no debate e na promoção de uma sociedade mais igualitária.
Em entrevista sobre o assunto, a professora Luciana Elias, 2ª vice-presidenta do Adufg-Sindicato, falou sobre o papel da docência e da universidade diante dos desafios e avanços no enfrentamento ao racismo na sociedade.
Para ela, essa discussão deve continuar sendo objeto de estudos antropológicos, jurídicos e sociais nas universidades para que, por meio da educação, do letramento, de ações contínuas e da formação de uma cultura antirracista, seja possível diminuir o vácuo epistêmico que ainda existe sobre o tema.
“O racismo ainda é um assunto discutido por quem sofre e não por quem o exerce. Sair de sua situação de conforto e privilégio é muito desafiador para as pessoas não negras. As universidades foram privilégio por gerações e carregam esse pensamento ainda hoje”, afirma.
Na avaliação da professora, o aumento dos casos evidencia que as estruturas que sustentam o racismo ainda permanecem presentes na sociedade. Para ela, a necessidade de leis e o crescimento das denúncias demonstram que é preciso ampliar as ações de conscientização e formação, especialmente no ambiente educacional e universitário.
“A falta de percepção de privilégio acomoda e vem promovendo esses retrocessos. O ambiente escolar ainda não é um lugar seguro, e quem dirá confortável, para as pessoas não negras, e a escola precisa tomar para si essa responsabilidade pela omissão ou pela potencialização do racismo”, alerta Luciana.
Para a professora, abordar o tema em sala de aula é o primeiro passo para a construção de uma educação antirracista. Ela defende que educadores comprometidos com uma sociedade mais igualitária devem promover a consciência histórica sobre o Brasil e o mundo, reconhecer que a ciência possui múltiplas origens e compreender que nenhuma cultura pode se sobrepor à outra. Nesse processo, o respeito à pluralidade é visto como um princípio essencial para a formação de cidadãos mais conscientes e para o fortalecimento de uma sociedade mais justa.