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Autor: Ascom Adufg-Sindicato

Publicado em 08/08/19 - Notícias

“Temos que ocupar todas as frentes contra o Future-se”, diz Brandão em reunião da Andifes

Ao lado do Reitor da UFG, Edward Madureira, presidente do Adufg, Flávio Alves da Silva, participou da reunião, em Brasília

“Temos que ocupar todas as frentes contra o Future-se”, diz Brandão em reunião da Andifes

“Não é admissível que um projeto como o Future-se, que altera dezesseis leis, que muda toda a configuração do ensino superior público no Brasil, seja apresentado sem consulta às entidades da educação. Por isso entendemos como fundamental o papel da Andifes e do Conif neste debate, como entidades institucionais, como sujeitos e representantes do próprio governo, e representantes das universidades e institutos federais no Brasil, e temos que enfrentar essa luta, e ocupar todas as frentes contra o Future-se”, destacou o presidente do PROIFES-Federação, Nilton Brandão (SINDIEDUTEC-Sindicato), em reunião nesta quarta-feira, 7, na sede da Associação Nacional de Dirigentes das Instituições Federais de Ensino Superior (Andifes) em Brasília.

“Não podemos falar do futuro se esquecemos do presente. As universidades estão a ponto de fechar as portas, com recursos absolutamente necessários sendo bloqueados. E o ataque à autonomia de gestão financeira, se aprovado, fará com que as universidades deixem de ser um órgão de Estado para se tornarem um órgão de governo. Portanto a defesa da autonomia universitária deve ser um ponto que nos une contra esse projeto”, acrescentou Brandão.

Evento Adufg

O presidente do Adufg, Flávio Alves da Silva, participou da reunião e falou sobre a sua preocupação com o Future-se. “Esse programa é uma ameaça à autonomia das universidades. Estamos com muito receio caso ele seja aprovado. Principalmente com a administração das instituições por Organizações Sociais (OS) e a contratação de professores via CLT. Isso é um absurdo! Por isso, queremos fazer um evento em parceria com a UFG para discutirmos este Projeto”, pontuou.

Já o presidente da Andifes, João Carlos Salles (UFBA), reforçou esta preocupação, salientando que atualmente há ainda 30% do orçamento de custeio das universidades bloqueado. “É fundamental reverter isso, para garantir o funcionamento regular de nossas universidades, o que nos permite discutir melhor o caminho para o sistema de ensino superior público no país. A Andifes está realizando seu debate, e vai se posicionar quando houver um Projeto de Lei efetivo [sobre o Future-se], mas nenhum projeto de orçamento deve descomprometer o Estado com o financiamento do ensino superior público”, afirmou Salles.

A Emenda à Constituição 95, que congela investimentos sociais por vinte anos, foi um dos pontos lembrados pelo vice-presidente da Andifes, Edward Madureira (UFG), que relacionou o Future-se como uma das consequências da Emenda. “A Emenda restringe a possiblidade de financiamento das universidades, e o Future-se vem trazer uma alternativa externa a esse financiamento. As universidades já buscam recursos externos, e estamos dispostos a discutir a encontrar a melhor forma desses recursos serem internalizados e utilizados na universidade”, frisou Madureira.

Neste momento a unidade entre todas as entidades da educação “é fundamental para termos forças e para pensar alternativas, e precisamos ser firmes na defesa da universidade pública, buscando saídas para que ela permaneça pública, e a serviço da sociedade”, ressaltou em sua fala o presidente da União Nacional dos Estudantes (UNE), Iago Montalvão. “Teremos uma reunião no Ministério da Educação e vamos enfrentar o debate, com grande preocupação. Mas hoje nosso foco precisa ser a retomada da verba, o descontigenciamento de recursos, que é a maior ameaça agora. Os estudantes têm nos procurado desesperados com o futuro da universidade, muitos dependem de pesquisa para sobreviver, e sem bolsas a pesquisa é paralisada”, alertou Montalvão.

A reunião contou ainda com representantes da Associação Nacional de Pós-Graduandos (ANPG), da Andes e da Fasubra.