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Autor: Ascom Adufg-Sindicato
Publicado em 26/01/2026 - Folha de São Paulo, Na mídia
Brasil mantém liderança global em assassinatos de pessoas trans
Dossiê da Antra aponta 80 mortes em crimes transfóbicos em 2025
O Brasil seguiu, em 2025, como o país que mais mata pessoas trans no mundo pelo 18º ano consecutivo. Foram 80 assassinatos registrados em crimes transfóbicos, segundo o Dossiê Assassinatos e Violências Contra Travestis e Transexuais Brasileiras, que será divulgado pela Associação Nacional de Travestis e Transexuais (Antra) nesta segunda-feira (26).
O documento será entregue oficialmente a representantes do governo federal em cerimônia no auditório do Ministério dos Direitos Humanos e Cidadania, em Brasília.
Apesar da queda no número absoluto de mortes —de 122 em 2024 para 80 em 2025, uma redução de 34%—, a Antra afirma que os dados não indicam melhora no cenário.
Para a presidenta da entidade e autora do dossiê, Bruna Benevides, o número segue alarmante. "É revoltante termos 80 pessoas assassinadas por serem quem são. Trata-se de um problema recorrente, sustentado por omissões do Estado e pela naturalização social da morte de corpos trans", afirma.
O alerta, segundo a entidade, é reforçado pelo aumento das tentativas de homicídio, que passaram de 57 para 75 no período. Para a Antra, isso mostra que a redução estatística dos assassinatos não representa diminuição real da violência contra a população trans.
Ceará e Minas Gerais lideram o ranking de assassinatos, com oito casos cada. Bahia e Pernambuco aparecem em seguida, com sete registros. Goiás e Mato Grosso têm cinco casos. Paraíba, Rio Grande do Norte, Paraná e São Paulo registraram quatro assassinatos cada, enquanto o Distrito Federal teve dois em 2025.
O levantamento aponta que as principais vítimas são travestis e mulheres trans, majoritariamente jovens, entre 18 e 35 anos, com predominância de pessoas negras. A violência permanece mais concentrada na região Nordeste, com destaque para estados que historicamente figuram entre os mais letais, como Ceará e Bahia, além de São Paulo no Sudeste.
O dossiê também registra a permanência da brutalidade, com crimes ocorridos, em sua maioria, em espaços públicos, periferias e vias urbanas. Segundo a análise da Antra, o cenário é agravado pela falta de dados governamentais, pela subnotificação, pelo medo vivido pela comunidade trans, pela desconfiança nas instituições e pela ausência de políticas públicas específicas para o enfrentamento da transfobia.
Além do diagnóstico, o documento apresenta recomendações ao poder público, ao sistema de Justiça e à área de segurança, com propostas para romper o ciclo histórico de violência e impunidade enfrentado pela população trans no país.