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Autor: Ascom Adufg-Sindicato
Publicado em 02/02/2026 - Agência Brasil, Na mídia
Contracheque: quem ganha até R$ 5 mil começa a perceber isenção do IR
Salário referente a janeiro já será pago sem o desconto do imposto
Os trabalhadores que ganham até R$ 5 mil por mês beneficiados com a nova isenção do imposto de renda vão perceber as vantagens, na prática, no salário referente ao mês de janeiro. Uma dessas pessoas é Silvângela Teixeira, professora temporária da rede estadual do Acre. Com rendimentos mensais pouco acima dos R$ 5 mil, este ano ela vai deixar de pagar mais de R$ 3 mil em impostos.

"Para mim esse desconto vai melhorar bastante. Vai ajudar no orçamento da família. O ano passado eu paguei um absurdo de imposto de renda, eu paguei quase R$ 6 mil. Então, todo mês pra me tirar aquele valor do meu bolso doia na minha alma. Então, de saber essa notícia, eu fiquei muito feliz, porque vai ajudar mais ainda nas finanças em casa, porque a gente tem carro, tem luz, tem tudo. Qualquer valor que vai entrar na renda da gente e que não vai ser tirado, para nós é um lucro muito grande. Eu estou muito feliz.
Silvângela conta que no ano que vem, com o fim de um dos contratos que tem com o estado, vai passar a ganhar R$ 3.400. Com isso, vai ficar totalmente isenta do imposto de renda. Moradora da cidade de Xapuri (AC), ela conta que também precisa pensar na educação da filha de 12 anos.
"Já não vou mais pagar, porque o salário já vai ser menos, Então, para ela também já é uma forma de eu ajudar ela mais na frente, porque esse ano ela vai entrar para o nono ano. Eu já vou pensando no futuro para pagar uma faculdade ou algo assim".
A nova a isenção do imposto de renda beneficia trabalhadores e trabalhadoras com carteira assinada, servidores públicos, aposentados e pensionistas que ganham até R$ 5 mil por mês. A mudança está prevista na nova tabela do Imposto de Renda, que está em vigor desde primeiro de janeiro deste ano.
O economista e professor da Universidade de Brasília avalia a isenção e as reduções no IR como “fundamentais” para melhorar a renda dos trabalhadores. E orienta, para quem puder, que priorize o pagamento de dívidas com esses recursos.
"Obviamente é um avanço no tocante das pessoas de menor renda. Poderão então ter uma margem em seus ganhos, em sua renda, para poder de alguma forma contribuir dentro de sua casa, nos orçamentos. Obviamente existe uma prioridade, as pessoas devem buscar pagar as dívidas e também, nesse momento em que a taxa de juros está bastante elevada, evitar tomar empréstimos para que não possa comprometer o orçamento."
O projeto de lei, apresentado pelo governo federal, foi aprovado no Congresso, e sancionado em 26 de novembro passado pelo Presidente Lula. Na ocasião, o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, falou em “justiça tributária” e destacou que, agora, é a vez de os mais ricos pagarem mais impostos.
"Quando você fala em ajuste de conta, todo mundo arrepia. Com razão. Porque todas as vezes que se fez um ajuste nas contas, se fez no lombo dos mais pobres. Dessa vez nós resolvemos fazer diferente. Tudo que nós fizemos para ajustar as contas e que causa certa revolta em algumas pessoas, é que o andar de cima foi convidado a fazer o ajuste. Não foi o andar de baixo. Nós assistimos ao longo de anos o gasto tributário aumentar e o imposto sobre os pobres aumentar. Era bolsa empresário para os ricos e congelamento de renda dos pobres."
Pelas ruas do país, quem trabalha de carteira assinada considera a medida “justa”, porque mantém os impostos para quem ganha acima de R$ 7.350 e cobra mais de quem ganha muito dinheiro.
Até o ano passado, todas as pessoas que ganhavam mais de R$ 2.428,80 tinham que pagar imposto de renda.
Agora, o governo afirma que cerca de 10 milhões de brasileiros que ganham até R$ 5 mil estão isentos desse pagamento e 5 milhões de trabalhadores que ganham até R$ 7.350 vão ter redução no tributo.
A compensação dos valores que o governo vai deixar de arrecadar com essas isenções virá de uma cobrança maior no imposto de altas rendas. Esse aumento atingirá quem ganha mais de R$ 600 mil por ano, ou seja, cerca de 140 mil brasileiros.