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Autor: Ascom Adufg-Sindicato

Publicado em 04/02/2026 - Band Notícias, Na mídia

Universidades começam a restringir uso de celulares e surpreendem alunos

Instituições de ensino superior adotam regras próprias para limitar aparelhos; foco é melhorar a concentração e o desempenho acadêmico dos universitários.

Universidades começam a restringir uso de celulares e surpreendem alunos

O retorno às aulas no ensino superior trouxe uma mudança inesperada para muitos universitários em 2026. Seguindo a tendência consolidada nas escolas de educação básica, diversas faculdades brasileiras começaram a implementar restrições severas ao uso de celulares, tablets e laptops dentro das salas de aula.

A medida, que já atinge instituições de renome em São Paulo, visa combater a distração digital e estimular a interação social entre os alunos. Embora o ensino superior tenha autonomia para definir suas próprias normas, a mudança reflete os resultados positivos observados no ensino fundamental e médio após a proibição federal.

Foco na concentração e no convívio social

Em uma faculdade na capital paulista, os estudantes foram surpreendidos com a nova diretriz já no primeiro dia de aulas. De acordo com Priscilla, coordenadora da graduação da instituição, a decisão tem "questões intencionais". O objetivo central é elevar os níveis de concentração durante as lições e resgatar o aspecto social do ambiente acadêmico, muitas vezes prejudicado pelo uso excessivo de telas.

Pelas novas regras, os aparelhos eletrônicos só podem ser utilizados quando houver uma relação direta e explícita com o conteúdo pedagógico ministrado no momento. Fora dessas situações, os dispositivos devem permanecer guardados.

Para os calouros que acabaram de deixar o ensino médio, a adaptação tem sido mais simples. "A gente já não podia usar. Minha escola já era muito rígida", relatou um estudante do primeiro ano, referindo-se à Lei Federal que, desde janeiro de 2025, restringe o uso de celulares em todas as etapas da educação básica.

FGV e ESPM adotam novas diretrizes

A restrição ganha força em instituições tradicionais. A Fundação Getúlio Vargas (FGV) já prevê a limitação do uso de celulares em sala de aula para este primeiro semestre de 2026. Já a ESPM orienta que os aparelhos fiquem no modo silencioso e sejam mantidos dentro de bolsas ou mochilas.

Além da restrição técnica, a ESPM tem incentivado o retorno das anotações em cadernos físicos. Segundo a instituição, a prática de escrever à mão é um exercício importante para o cérebro e auxilia na fixação do aprendizado. A faculdade ressalta que a medida não é uma "simples proibição", mas sim uma orientação baseada nas melhores práticas para o desenvolvimento das atividades acadêmicas.

Resistência e autonomia dos estudantes

Apesar dos argumentos pedagógicos, a mudança gera debate entre os veteranos. Nas imediações das universidades, estudantes manifestam opiniões divididas. Muitos argumentam que, no ensino superior, esperavam ter mais autonomia sobre o próprio comportamento e as ferramentas de estudo.

"Esperávamos mais autonomia por estarmos na faculdade", comentou uma aluna da ESPM. No entanto, o sentimento de resignação também é presente entre os jovens: "Se é uma regra, terá que ser cumprida, não tem jeito", pontuou outra estudante.

Como a Lei Federal de 2025 não abrange as universidades, cada instituição de ensino superior tem liberdade para decidir como aplicará — ou não — as restrições. O movimento atual é impulsionado por estudos que apontam a melhoria no desempenho escolar em instituições que adotaram o "ambiente livre de telas" nos últimos meses.