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Autor: Ascom Adufg-Sindicato
Publicado em 18/02/2026 - Jornal da USP, Na mídia
Universidades precisam se reinventar na era da inteligência artificial
Uso massivo de IA entre estudantes acelera mudanças no ensino e exige integração da tecnologia em todas as áreas do conhecimento
O professor Glauco Arbix cita dados sobre o uso da inteligência artificial por estudantes. “Cerca de 90% dos alunos utilizam recursos de inteligência artificial nas principais universidades dos Estados Unidos e da União Europeia. Segundo o TIC Educação, aqui no Brasil, 70% dos estudantes do ensino médio, 40% do ensino fundamental e 85% dos estudantes brasileiros universitários utilizaram ou utilizam a inteligência artificial em seus estudos. Esses investimentos para levar a inteligência artificial nos sistemas de educação crescem exponencialmente no mundo todo, impulsionados pelas big techs, que querem atrair os alunos desde os primeiros anos escolares.
Não é à toa que muitos professores resistem a essa adoção massificada da inteligência artificial e orientada pelas grandes empresas. O problema é que é muito difícil recusar, ignorar ou contornar a expansão da inteligência artificial. A IA realiza muitas atividades que as universidades tradicionalmente ensinam: analisa informações complexas, escreve ensaios, resume em textos, programa, traduz, gera imagens, vídeos, áudios.”
É por isso, segundo o colunista, que as taxas de adoção da inteligência artificial crescem rapidamente, apesar de todos os problemas éticos, de imprecisão, de alucinação e transparência. “O primeiro passo é conhecer a tecnologia. A maior parte das universidades aborda a inteligência artificial como uma disciplina de nicho, restrita à ciência da computação. Nada mais equivocado.
Essa visão estreita ignora a queda abrupta no custo de cognição e as alterações que promovem no ensino, na aprendizagem, no mercado de trabalho.
A realidade nua e crua é que não há pesquisa avançada no mundo hoje sem inteligência artificial em todos os domínios do conhecimento, nas exatas, nas biológicas e nas humanas. É exatamente por isso que as universidades precisam se transformar para sintonizar com as mudanças atuais em grande parte promovidas pela tecnologia. No mundo do trabalho, a demanda de emprego cada vez mais se preocupa com trajetórias e não com diplomas ou credenciais acadêmicos.”
Outra constatação é o desinteresse que grande parte da juventude demonstra pelos estudos acadêmicos. “Em vários países do mundo, nos Estados Unidos e na Europa, cerca de metade dos jovens com a idade de até 20 anos não quer mais fazer universidade, ou não vê a universidade como uma perspectiva de arrumar um bom emprego […] É fundamental tentar mudar de rumo.
É preciso comandar a remodelagem da infraestrutura e da integração do conhecimento. O novo reitor da USP pretende criar um office dedicado à inteligência artificial para integrar e disseminar essas tecnologias em todos os cursos, em todas as disciplinas. A proposta é mais do que bem-vinda.”