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Autor: Ascom Adufg-Sindicato

Publicado em 26/08/19 - Notas de falecimento, Notícias

Morre o professor e maestro Jarbas Cavendish

Jornal do Professor veiculou reportagem especial em março deste ano com o artista e docente

Morre o professor e maestro Jarbas Cavendish

O cenário da música no Brasil brilha um pouco menos agora. A Escola de Música e Artes Cênicas da Universidade Federal de Goiás (UFG) e todos os amantes da boa música perderam neste domingo, dia 25 de agosto, o maestro, arranjador, compositor e professor Jarbas Cavendish Seixas. O pernambucano era graduado pela Universidade do Rio de Janeiro (Unirio), mestrando em Música Brasileira e professor auxiliar na Unirio. Na Emac, foi responsável pela disciplina ‘Práticas Instrumentais’ e coordenou o Núcleo de Música Popular.

Em março deste ano, o Jornal do Professor veiculou reportagem especial sobre o novo DVD da Banda Pequi, projeto de extensão vinculado à Emac e encabeçado por Cavendish. Na ocasião, o artista e docente esbanjava orgulho e felicidade por entregar ao público um trabalho que coroou os 19 anos dessa história.  Confira a íntegra a reportagem.

Banda Pequi lança álbum ao vivo com Lenine

Com 19 anos de história, projeto de extensão da Emac está no auge do sucesso

            Se você gosta de música ao vivo e mora em Goiânia, provavelmente já ouviu falar na Banda Pequi, o que você talvez não saiba é que a big band é um projeto de extensão vinculado à Escola de Música e Artes Cênicas (Emac) que coloca cerca de 20 músicos no palco. O projeto é encabeçado pelo professor Jarbas Cavendish Seixas e foi idealizado por ele e por Alexandre Magno, que hoje coordena a big band Rubacão Jazz, da UFPB. Hoje em dia, a mágica acontece no Laboratório de Música Popular Bororó Felipe, em homenagem ao contra-baixista goiano, “um dos melhores da atualidade”, destaca Jarbas. Agora a banda se prepara para lançar um DVD ao vivo com Lenine, gravado no ano passado e que serviu para coroar os 19 anos dessa história.

            Mas este não é o primeiro DVD da Banda Pequi. A primeira gravação veio através do Itaú Cultural, em 2005; depois os projetos foram ficando mais ambiciosos, com um CD com Leila Pinheiro e Nelson Farias em 2010; um DVD com João Bosco e Nelson Farias em 2015 e, agora, com Lenine e Carlos Malta. A Banda Pequi é um projeto de extensão, se alimentando da disciplina conjunto musical e formada por alunos da graduação, da pós-graduação, ex-alunos, professores e músicos da comunidade. “No projeto os integrantes recebem bolsa e a escola é o celeiro para os nossos músicos”, explica Jarbas, “a disciplina dá oportunidade para os alunos de graduação verem esse repertório interessante, de praticar, de tocar, de ver essa formação big band e substituir eventualmente ou efetivamente membros da Banda Pequi principal que se dá sempre pela disciplina de conjunto”.

A banda começou humildemente em 2000 e foi crescendo. Segundo o professor, no começo eles faziam coisa de dois shows por ano; em 2018 foram 16 apresentações. Ele descreve que para o aluno, a Banda Pequi é uma experiência única, especialmente ao se trabalhar com artistas convidados. “Isso traz pra sala de aula a dinâmica do mundo profissional, do arranjador profissional, do artista consagrado. É uma experiência inacreditável para os alunos em todos os sentidos. A performance musical da Banda Pequi atingiu um nível extremamente desenvolvido. Não tem nada parecido no meio universitário”, afirma.

O professor destaca que é um projeto da universidade e que só deu certo graças ao investimento dos reitores. “A universidade investiu muito nesse projeto. Apostou. No site da Proec tem as exigências pra você ter um show da Banda Pequi. Isso foi construído com o tempo”, conta Jarbas. O resultado disso tudo foi o refinamento da equipe: “nos profissionalizamos bastante não só musicalmente mas em termos de produção. É uma máquina eficiente e a metodologia aplicada prova isso”.

            Tudo isto culminou na gravação com Lenine, que era um desejo antigo do professor: “o Lenine é muito amigo meu. Ele é um cara que hoje tem visibilidade internacional e eu tenho certeza que esse show vai ser um divisor de águas para nós. O show do João Bosco tem mais de 200 mil visualizações no YouTube, para mim, isso são 200 mil pessoas vendo uma sala de aula”. Para o Lenine, ele espera muito mais visualizações. “Eu conheço Lenine desde o tempo do Salesiano, ele foi pro Rio muito cedo, eu fui também e a gente morava na mesma rua. Eu fazia muita música com as primas dele”, relembra Jarbas, que também é natural do Recife, “eu lembro de quando ele gravou o primeiro K7 dele, ele foi lá em casa me mostrar. Então ele topou fazer esse projeto com a gente, foi muito na camaradagem, é um cara de um rigor e um talento muito grande”.

Além disso, o show foi o recital de defesa de mestrado do professor Jarbas.  “Nunca vi uma defesa assim. Ela podia ter sido feita comigo tocando um piano nessa sala com três caras assistindo. Ao invés disso eu passei com Carlos Malta, Lenine, com toda a pós-graduação, com o reitor, as pró-reitorias. Foi um evento. Trouxe o popstar do Lenine pra dentro da universidade”, brinca e relembra. O tema central da dissertação foi o papel de formação da Banda Pequi, baseada no relato de todos os integrantes e ex-integrantes que se formaram músicos de carreira após passar por ela. “É realmente uma prática, o cara melhora? Fazendo a análise dos registros, DVD, CD, vimos que realmente a banda mudou. Tive esse feedback, todos falaram da transformação que passaram através da Banda Pequi”.