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Vozes do Grande Sertão

Publicado em : 15/04/2019

Autor : Jornal do Professor

Fruto de dois anos de pesquisa, numa parceria entre a Universidade Federal de Goiás (UFG) e a Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP), Conversa Fiada é um documentário que acompanha a vida (e as linhas) das fiadeiras, tingideiras e tecedeiras do Vale do Urucuia, no sertão de Minas Gerais e cenário de Grande Sertão: Veredas, de Guimarães Rosa. Ao todo o filme conta um pouco da história de 15 mulheres e se tornou o cerne do pós-doutorado da professora Dinalva Ribeiro, da Escola de Agronomia (EA).

“A princípio nossa intenção era fazer uma pesquisa que envolvesse sementes crioulas pois nós trabalhamos com comunidades camponesas em toda nossa trajetória acadêmica”, cont ela, “todo esse modo de fazer, operar, organizar e produzir do camponês nos interessa muito e a as sementes crioulas nos encanta muito porque é a origem da produção da vida nessas comunidades”.

Partiram para o Vale do Urucuia com a intenção de realizar essa. No entanto, ao chegar lá, “começamos pelos quintais, pelas hortas, pelas cozinhas, pelas mulheres, para acessar esse universo das sementes que de certa forma envolve toda a dinâmica da casa e passa muito pelas mulheres. E ao ter esse contato nos deparamos com outra potência que é esse trabalho com o tissume e a lida com o algodão”, relembra. Istou levou a uma guinada na pesquisa e o convívio com elas foi nos revelando toda a trajetória e todos os elementos que ao final se tornou o vídeo documentário. Chegamos até elas mediados pelas sementes e vivemos com elas por dois anos, fiando, tecendo, tingindo, lidando nas hortas, nas roças, dividindo dores e amores com essas mulheres”, conta Dinalva.

A princípio, a ideia passou a ser focar no aspecto técnico e artesanal do tissume, já que a prática está em extinção. “Nesse processo aprendi a fiar, a tecer, passei a fazer junto com elas”, revela a professora, “no entanto, tivemos uma surpresa ao começar a trabalhar com elas. É uma segunda faceta que não contávamos com ela que é o tissume como o lugar de encontro e sororidade das mulheres, embora esta palavra não esteja no vocabulário delas. É o lugar do encontro entre elas e do apoio e da solidariedade de forma que é no tissume que elas conseguem reunir forças para superar muitas violências, muitas dores, muitos traumas que elas são vítimas ao longo de suas vidas”.

O fiar se revelou como lugar de potência e, ao mesmo tempo, lugar de trabalho que é lugar de descanso porque lá que elas podiam falar entre si, expor entre si suas dores e angariar suas forças, se descansar do cotidiano bastante desgastado, muitas vezes por suas relações com seus maridos e os próprios filhos. “Nós não podíamos fazer vista grossa para o que nos revelou essas mulheres”, afirma Dinalva, “entendemos que esse aspecto seria o mais importante e mais significativo de ser revelado pelo documentário porque ele é muito atual. Ele reforça em nós a certeza de que todas as mulheres de todos os tempos e espaços de alguma forma ao mesmo tempo em que todas sofremos privações e violências físicas e simbólicas, todas nós conseguimos encontrar brechas para se fortalecer e construir uma resiliência. Elas são extremamente resilientes”.

A professora se impressionou pela capacidade delas de passarem por toda sorte de sujeições que narram, de sobreviver e de ressignificar a sua própria história. “E a alegria dessas mulheres, a disposição delas pra vida, é impressionante. Em nenhum momento elas se renderam à dor”, narra a professora, “do contrário: só falam nisso quando a gente provoca, mas essas dores não dão o tom da conversa delas. O que dá o tom é a disposição, a alegria”. Ela acredita que o grande legado do documentário é mostrar este enfrentamento: “é um enfrentamento distinto. Na verdade é uma ação de preservação da própria vida porque se elas não encontrassem essa forma entre elas de se fortalecer e de construir uma via alternativa de driblar aquelas circunstâncias, algumas delas estariam mortas, como muitas foram mortas. O feminismo é um fato, presente na vida de todas as mulheres, mesmo naquelas que sequer conhecem o termo. A prática delas é feminista”.

O filme foi produzido por Dinalva e dirigido por ela em parceria com o cineasta Diego Zanotti. “A pesquisa era a parte em que eu mais estava envolvida, mas o documentário eu não poderia fazer sem uma parceria de uma pessoa com a experiência que o Diego carrega”, disse ela. O diretor relata que foi uma experiência de aprendizado incrível, “especialmente por ser um ambiente muito feminino, eu ser convidado a entrar na intimidade dessas mulheres, pra mim foi uma grande honra escutá-las e compartilhar um pouco desse mesmo espaço. Me senti muito grato à Dinalva pela confiança”.

            Ele comentou da importância de produzir filmes assim: “hoje estamos mesmo em uma luta. Os territórios das antes consideradas minorias hoje são maiorias potentes encontrando seus espaços para falar, colocar para fora suas verdades”. O documentário deve circular em festivais, foi licenciado para um canal de TV e também está disponível gratuitamente no YouTube. A pesquisa foi realizada em 2016 e 2017, mas a professora conta que nunca mais se separou dessas mulheres conforme outros projetos foram surgindo.

 

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